Distopia, Livros

RESENHA: O CÍRCULO, DAVE EGGERS

Finalmente, a primeira resenha do ano. E é também o primeiro livro do ano. Péssimo, eu sei, mas é que eu viciei em duas séries (e em assistir entrevistas sobre essas séries), estou tentando assistir todos os filmes indicados ao Oscar e passei alguns dias cuidando do meu afilhado. Ufa. Mas agora foi. E foi bem: O círculo é uma distopia que eu estou ansiosa para ver nas telonas e, quanto ao livro… fazia tempo que algo me prendia dessa forma.

Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: O Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade on-line única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência.
Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura arrojada quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamurosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante. O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano. Fonte: Skoob

O mundo criado por Dave Eggers é incrível por algo bem simples: é completamente real. É fácil imaginar que nosso vício por compartilhar em mídias sociais ultrapasse os limites do que é aceitável. No Círculo, o que eles buscam é a transparência total. Para isso, todos são incentivados a compartilhar o máximo de informações possível, até com pessoas fazendo transmissões ao vivo de, basicamente, todos os momentos em que estão acordados. Além do que escolhem compartilhar, alguns dos produtos monitoram 24h saúde, localização ou ranking escolar. Existe até projeto para organizar nossos sonhos, para transformá-los em algo útil e que nos ajude quando acordados.

“Segredos são mentiras”

A paranóia chega em um nível inacreditável e acompanhar a jornada da Mae, Kalden e Annie foi o que eu achei mais legal. Annie e Kalden já faziam parte do círculo antes da Mae e suas narrativas são opostas. Enquanto a Mae começa sem muito jeito de compartilhar as coisas e vai se tornando cada vez mais adepta das loucuras do Círculo, Annie e Kalden a começam a perceber que o futuro vai ser insuportável.

“Compartilhar é se importar”

O Círculo não é uma distopia que apresenta um universo novo, mas nos coloca para pensar sobre a loucura que pode virar a nossa vida. Já compartilhamos demais e empresas de tecnologia já estão anunciando soluções voltadas para a medicina. Mídias sociais já nos apresentam feeds selecionados e cada vez mais a internet está integrada. É assustador e parece um caminho sem volta. Dessa leitura, vi que o que mais precisamos é nos manter humanos e tentar, de todo jeito, não perder a noção do que é aceitável.

“Privacidade é roubo”

A narrativa é tranquila, apesar de cansativa em alguns momentos em que foca na apresentação dos produtos do círculo, mas vai te prendendo na loucura que é a rotina da Mae. Achei que o autor podia ter explorado mais outros personagens e tomado algumas decisões de outras maneiras. Durante todo o livro, não fazia ideia de onde o autor queria chegar e o desenvolvimento do fim não me agradou, mas não estragou minha experiência.

Acho que as reflexões que surgem a partir do livro são mais válidas que detalhes técnicos nesse caso. Nossa dependência da tecnologia, nossa sede por saber cada vez mais… Indico a leitura e indico o filme, que estreia nos Estados Unidos em abril, com Emma Watson como Mae, John Boyega como Kalden, Tom Hanks como Bailey e Karen Gillan como Annie.

Ficha técnica
Autor:
Dave Eggers
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Páginas: 522
ISBN-10: 8535924787

 

Cinema

La La Land – É tudo isso mesmo?

Era julho quando descobri esse filme e comecei a contar os dias para assistir no cinema. Entre trailers e teasers, mal podia esperar para mais um filme com Emma Stone e Ryan Gosling e um novo musical com uma vibe jazz e com estilo nostálgico. Não tinha ouvido críticas negativas, mas o sucesso de La La Land no Golden Globes me pegou de surpresa: 7 indicações e 7 prêmios. Seria o filme melhor do que eu já imaginava?

La La Land é o tipo de filme que te deixa com um sorriso no rosto durante (quase) o filme todo. Que começa com um número musical animado, muitas cores. Conhecemos então Mia (Emma Stone), que sonha em ser atriz e trabalha num café num estúdio de filmagens enquanto não consegue seu grande papel, e Sebastian (Ryan Gosling), pianista que sonha em abrir o próprio clube de jazz, no estilo “clássico”.

La La Land é, em sua essência, um filme sobre sonhos, sobre a indústria do cinema, sobre suas dificuldades, mas também sobre sua magia. É impossível não se encantar com estúdios de filmagens e a possibilidade de glamour que esse mundo oferece. É nesse clima que o roteiro nos leva pelas duas horas do longa.

Dos prêmios do Golden Globes, La La Land foi escolhido Melhor Filme – Comédia ou Musical. Também levou os prêmios de melhor diretor e roteiro para Damien Chazelle. Apesar de ter achado o roteiro não tão sensacional, na parte de direção Damien utiliza sequências longas e sem cortes nas cenas musicais, dá dinamismo a esse estilo, utiliza pausas, diferentes velocidades e ângulos para contar a história.

Justin Hurwitz ficou com o prêmio de melhor trilha sonora (que você pode dar play no spotify e se deliciar) e City of Stars ainda levou prêmio de melhor música. Para fechar as premiações, Emma e Ryan levaram os prêmios de melhor ator e atriz num musical ou comédia.

Mas o que tudo isso significa?

La La Land é um presente para o cinema em 2016/17. É um filme cheio de cores e ritmos, que combinou música, boa atuação, nostalgia, a magia do cinema e criou algo gostoso de assistir. Não é um filme “carrancudo”, como muitos dos premiados costumam ser.

Não é dramático, não é biográfico, não é sobre alguém, mas é também sobre nós. Sobre nossos sonhos, sobre abrir mão de sonhos, sobre pensar em desistir, sobre encontros e desencontros. La La Land tem uma doçura rara em uma história simples, cotidiana.

Não é um roteiro genial, nem uma história brilhante. La La Land também tem muitos defeitos (se for colocar na ponta do lápis, talvez tantos defeitos quanto qualidades), mas é um conjunto de figurinos, coreografias, ritmos e sentimentos que deu certo, muito certo.

Infanto-juvenil, Livros

RESENHA: GEORGE, ALEX GINO

George é o tipo de livro que me motiva a ter um blog sobre livros. Acho que isso já resume bem o que eu achei. É o primeiro livro com um protagonista transgênero direcionado para o público infantil/infantojuvenil feito no Brasil. É um livro para crianças, importante notar, então antes de começar a leitura a gente precisa lembrar como era ser criança.

Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque… é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

Peguei esse livro com a Galera Junior por pura curiosidade de como a história se desenvolve. Não faço parte da comunidade LGBT, mas isso não me impede de simpatizar com a causa e ficar feliz de ver um livro com a temática voltado para crianças. Como alguém que vê de fora, fiquei bem feliz com o resultado desse livro.

É bem difícil para mim imaginar a confusão que deve se passar na cabeça de uma criança que ouve que é menino mas se entende como menina. Vai além do gostar de coisas de menina – que deveria ser algo normal, vamos combinar. Meninos deveriam poder gostar de coisas de menina do mesmo modo que meninas devem poder gostar de coisas de meninos, sem preconceitos. Mas voltando ao livro, George sabe muito bem o que é e o que gosta, mas não faz ideia de como contar isso para as pessoas.

Quando uma peça de teatro surge na escola, George se apaixona pela personagem Charlotte e com a ajuda da amiga Kelly, que descobre meio sem querer que George é menina, bola um plano para ser Charlotte no palco e, quem sabe, fazer as pessoas entenderem que ele também é uma menina fora dele.

Alex Gino trouxe naturalidade para tratar questões de gênero, bullying e mesmo descobertas da infância. O enredo se desenrola em cenas que poderiam ser reais – não tem nada que force a realidade. A escrita é simples e a narrativa é em 3ª pessoa focada em George. A capa está super fofa, especialmente a contracapa que reforça a principal mensagem da história: seja quem você é.

Lembro muito bem de me identificar com personagens e me inspirar em suas ações. Espero que George faça o mesmo com as crianças transgênero que precisam saber que são, sim, normais.

Ficha técnica
Autor: Alex Gino
Editora: Galera Junior
Ano: 2016
Páginas: 144
ISBN-10: 8501077674

Blog, Livros

Adeus, 2016. Olá, 2017.

2016 chegou cheio de surpresas, especialmente considerando o blog, que nasceu nesse ano. Foi um ano diferente, que impôs algumas cobranças para nossas leituras, mas que também nos provou como é gostoso compartilhar ideias sobre livros.

Fechamos o ano com 53 resenhas aqui no blog. Destas, 48 foram de lançamentos.Também comentamos filmes e séries e conhecemos muitas histórias no ano que passou. Algumas acabaram não aparecendo por aqui, mas você pode conhecer nossas histórias favoritas do ano nesse TOP 9 que separamos.

TOP 9 2016

Erramos, aprendemos, escrevemos, lemos e criamos. Em um ano, muito mudou da nossa concepção do que é ter um blog, como fazer resenhas, como escolher leituras e muito mais. É gostoso chegar nessa data e perceber que evoluímos. Com esses novos aprendizados, daremos continuidade ao Sobre Livros e Outras Coisas em 2017.

Já disse J.K. Rowling que nenhuma história vive a não ser que pessoas queiram ouvi-las e, também podemos dizer, existe público para diferentes mundos, gêneros e tamanhos por ai. Mas não só a vontade de contar e conhecer histórias move o mercado da escrita criativa. Aproveitando que nos aventuramos por muitos gêneros literários em 2016 resolvemos criar aqui no blog uma nova categoria de posts sobre escrita: dicas para blogs, textos e livros num geral.

E, como não poderia passar em branco, apresentamos hoje nossas maiores expectativas para 2017! Com certeza vai ter post sobre aqui no blog. É o nosso top 9 de lançamentos ou histórias que queremos conhecer.

Drama, Young Adult

Resenha: Garota Desaparecida, Sophie McKenzie

A história criada por McKenzie mostra como pequenos acontecimentos podem mudar nossas vidas. Quem nunca teve que se descrever para algum motivo? Seja na escola, num perfil na internet ou em qualquer outro lugar. É raro não ficarmos em dúvida do que colocar, mas Lauren tem motivos extras para isso.

Lauren mora na Inglaterra e sempre soube que é adotada. Mas, quando uma breve pesquisa sobre o seu passado revela a possibilidade de ela ter sido roubada de uma família americana ainda bebê, a vida de Lauren de repente parece uma fraude. O que ela pode fazer para tentar encontrar os pais biológicos? E seus pais adotivos terão sido os responsáveis por sequestrá-la? Lauren convence sua família a fazer uma viagem para o outro lado do Atlântico e, lá chegando, foge para tentar descobrir a verdade. Mas as circunstâncias de seu desaparecimento são sombrias, e os sequestradores de Lauren ainda estão à solta — e dispostos a qualquer coisa para mantê-la calada.
Fonte: Skoob

O que eu mais gostei nessa história é como os fatos começam. Lauren está escrevendo uma redação para a escola sobre quem é, e, por acaso, resolve pesquisar seu nome em uma site de crianças desaparecidas. Sua mãe adotiva, apesar de ser clara sobre a adoção, não quer contar mais detalhes para a protagonista, o que desencadeia toda a história de descobrir por ela mesma seu passado.

Essa leitura fluiu muito rápido. Foram 238 páginas lidas em um único dia, com várias pausas. A autora consegue te envolver e, com uma linguagem simples e acontecimentos rápidos, logo chegamos ao desfecho da história.

Gostei bastante da construção do enredo. Lauren não é revoltada, apenas curiosa. E dá pra entender os motivos que a levam a tomar as decisões e escolhas que direcionam a história. Achei alguns fatos meio forçados no meio da narrativa, como as partes que citam os sequestradores, mas não é nada que estrague a história.

É o livro de estreia de Sophie Mackenzie e já tem sequências publicadas no exterior. A história foi inspirada num caso real de uma criança desaparecida, o que torna ainda mais legal a leitura. Super indicado para fãs de YA, suspense e livros para ler em um dia.

Ficha técnica
Autor: Sophie McKenzie
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 238
ISBN-10: 8576864177

Drama, Livros, Young Adult

Resenha: Novembro, 9, Colleen Hoover

O que faz um beijo valer um livro? Essa é a pergunta que aparece nas primeiras páginas de Novembro, 9, e dá a direção para o desenvolvimento da história. O que faz os romances literários melhores (ou piores) que os reais? O que a gente ama num livro, mas sairia correndo se estivesse vivendo?

Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?
Fonte: Skoob

Fallon conhece Ben em uma situação inusitada: em um almoço com seu pai, quando as coisas não vão nada bem, Ben, que estava na mesa ao lado, decide sentar ao lado dela e fingir ser seu namorado. O dia? 9 de novembro. Mas esse dia também não é uma data qualquer. Além de Fallon estar de mudança para Nova York naquela noite, foi quando, alguns anos antes, ela estava na casa de seu pai, durante um incêndio.

O fogo deixou cicatrizes tanto em seu corpo quando em sua personalidade. Ele pausou sua promissora carreira de atriz mirim, afetou seu relacionamento com o pai, que escapou ileso do fogo e esqueceu que Fallon estava na casa. Ele tirou muito da sua autoconfiança e, de algum modo, tirou muito de sua vida. Por isso ela está de partida para o outro lado do país, em busca de um recomeço.

Mas Ben surge e entre eles, uma química incrível. Romance digno de livro, mas Fallon não quer se iludir e segue uma regra de sua mãe, de não se apaixonar antes dos 23 anos. Eles criam então uma saída: se encontrar novamente dali um ano. Não trocam telefone ou e-mail, bloqueiam o outro nas redes sociais e prometem não tentarem contato até o próximo encontro. A história impediria Fallon de se entregar e também daria a Ben um enredo para seu livro.

A ideia é super bacana e Colleen escreve de uma maneira que te convence que é a melhor solução para a história deles, mesmo com todos os potenciais riscos. A história nos conta cada um dos 9 de novembro que seguem, nos atualizando sobre o ano anterior e dando uma ideia do futuro. É natural torcer para a felicidade dos dois como casal, mesmo que isso só aconteça no futuro.

Apesar de ser um romance até certo ponto clichê, a autora criou belas revira-voltas na história. Fatos novos e surpreendentes que dão um novo tom para a narrativa e deixam a história mais densa, de certo modo, e também mostram os motivos do sucesso de Colleen como escritora. É um livro maravilhoso para fãs de YA, romances, que te fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Mais que aprovado!

Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Páginas: 352
ISBN-10: 8501076252

Cinema

5 motivos para você assistir Dr. Strange

O novo longa da Marvel estreou essa semana aqui no Brasil. Dr. Strange traz novos personagens e novos ares para o universo dos super heróis no cinema, que, convenhamos, anda bem movimentado – este é o terceiro lançamento da Marvel de 2016 (contamos Deadpool, mesmo ele não sendo parte, exatamente, desse universo conectado dos filmes). Se a gente for considerar os longas da DC Comics, então, dá até pra falar que tem coisa demais. Mas as produções são boas, os elencos são bons, as histórias envolventes e acompanhar o crescimento do universo fictício continua divertido, então já fomos conferir o lançamento e separamos aqui 5 motivos para você não pular esse filme.

  1. Apesar de ser mais um filme de super heróis, ele é diferente dos demais. Não tem uma identidade secreta, não tem, exatamente, super poderes, não é resultado de um experimento científico (que deu certo ou não) e não precisa de uma armadura.
  2. A trama também é diferente. Sim, temos um vilão e assistimos o nascer de um herói, mas ao invés de uma guerra, semi-deuses ou aliens, aqui temos uma imersão em outras dimensões, espiritualidade e magia.
  3. Os efeitos especiais estão muito bons. No trailer já dá para ter uma ideia e o filme todo usou muitos efeitos. Além dos efeitos de ação, os cenários criados também estão incríveis. Pessoalmente, já estou esperando, no mínimo, uma indicação ao Oscar nessa categoria.
  4. É uma história nova para o universo. Acompanhamos o nascer de alguns heróis, como Capitão América, Homem de Ferro e Thor, e como surgiram os Vingadores. Esse pessoal já está com filmes e sequências e, podemos imaginar, chegando ao fim de suas narrativas no universo. Dr. Strange vem com cara de novidade, ampliando a gama de personagens e abrindo as portas para o futuro dos filmes da Marvel.
  5. O elenco. Acho que um dos méritos da Marvel na construção dos filmes foi a escolha certeira (da maioria) dos atores. Com esse não é diferente.

Quem já foi assistir? Quem ainda vai? Não esqueçam de esperar a cena pós-créditos! 😉

Pra quem ainda não se convenceu, confere o trailer:

Cinema

O que esperar de Animais Fantásticos e Onde Habitam

Finalmente Animais Fantásticos e Onde Habitam chegou aos cinemas. Essa é uma ótima adição ao universo criado por Rowling, e adição é a palavra chave para entender essa nova série de filmes. Dá até pra dizer que Harry Potter está seguindo o caminho de outras histórias de sucesso duradouro, como Star Wars e Doctor Who, expandindo personagens e eras e criando uma narrativa de infinitas possibilidades.

Animais Fantásticos e Onde Habitam conta a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne), enquanto fazia as pesquisas que resultaram no livro homônimo, lançado como um extra de Harry Potter em 2001. Se o livro é uma pequena enciclopédia sobre as criaturas fantásticas do universo mágico, o filme nos leva a Nova York, na década de 20 e conta sobre um período diferente, com personagens novos, alguns nomes conhecidos e amplia a história. Em Harry Potter tivemos Hogwarts e aventuras de adolescentes, em Animais temos adultos, romance, ainda mais conflitos políticos e a sociedade bruxa dos Estados Unidos.

É um tanto confuso compreender esse novo cenário e personagens, mas é como descobrir uma nova passagem para acompanhar o mundo dos bruxos. Para aproveitar Animais, você precisa conhecer Harry, especialmente para entender o contexto (já que esse filme não apresenta o universo novamente), mas são narrativas bastante diferentes, que brilham em suas singularidades.

É complicado também comentar Rowling como roteirista. Dessa vez, não temos uma base, não sabemos o que deveria acontecer ou o que foi cortado nas edições e ficou mais difícil definir a qualidade dos detalhes, mas ela definitivamente criou uma narrativa envolvente e que concorda com o mundo que conhecemos.

Tentando ver apenas como filme, o resultado é muito bom, surpreende em alguns momentos, em outros traz acontecimentos esperados e tem algumas pontas soltas e cenas acessórias. Nos deparamos com novas e antigas criaturas, novos perigos e conflitos, o que prova que ainda há muito a ser explorado nas histórias e a criatividade dela continua espetacular, o que renova o ânimo para as sequências.

Eddie Redmayne é um belo bruxo é um ator muito bem vindo ao universo Potter. O time de efeitos que criou as criaturas está de parabéns, assim como quem pensou nos cenários e figurinos e James Newton Howard, responsável pela trilha sonora. Definitivamente Animais Fantásticos nos leva de volta ao mundo de magia.

Seriados

5 motivos para assistir The Crown

O plano para o feriado era ler, e até li um pouco, mas resolvi descobrir se The Crown, série que estreou no último dia 04 na Netflix sobre a Rainha Elizabeth II, era uma produção boa para acompanhar e o resultado foi: adeus qualquer outra coisa. Não consegui largar e, agora que terminei, estou aqui escrevendo sobre.

A série, que tem dez episódios nessa primeira temporada, começa a história da monarca em seu casamento. Passamos por sua coroação e os primeiros anos de reinado, quando Winston Churchill era o Primeiro Ministro britânico.

Saiba porque essa é uma produção para não ignorar:

  1. O enredo é envolvente. É uma história baseada na realidade, com pessoas que conhecemos, mas que traz um lado novo. Essa é uma Rainha de 25 anos, recém-casada, nos anos 50. É outro mundo e o roteiro nos leva para dentro dele, dosando muito bem o lado histórico e o lado humano, o que torna as personagens relacionáveis.
  2. Matt Smith e Claire Foy estão muito bem nos papéis de Príncipe Philip e Rainha Elizabeth.Eles são responsáveis por muito da humanização da história. É tão envolvente o enredo deles como casal na série que me peguei torcendo para o sucesso do casamento. Até esqueci que a história é real e eu já sei o que acontece com ela no futuro.
  3. O restante do elenco também foi muito bem selecionado. Quando o elenco funciona com os papeis, filmes e séries nos transportam para seus mundos assim como livros e é exatamente o que acontece aqui. John Lithgow como Winston Churchill chega a dar uma agonia de tão verídico.
  4. Os detalhes da produção. Cada detalhe de cenário, figurino e iluminação parece ter sido levado em conta e, no fim, ajudaram a compor o resultado final. Essa foi uma das séries mais caras da Netflix e muito desse valor é justificado na produção. O The Guardian divulgou algumas fotos feitas nos bastidores das gravações. Vale a pena conferir para conhecer um pouco mais da estrutura montada para a série.
  5. Curiosidades históricas. Eu sei que boa parte do que é contado é ficção, os diálogos são fictícios e muito nunca ocorreu, mas tem também muita coisa baseada em história e é sempre bom conhecer mais.

Os episódios de The Crown são um pouco mais longos do que a maioria das séries, duram 60 minutos cada, mas a gente assiste e nem percebe. A especulação é que a série tenha até 6 temporadas, mas o que já se sabe até o momento é que, para a terceira, o elenco todo deve mudar para retratar anos mais recentes na vida da família da Rainha. The Crown deve continuar com orçamentos altos, o que diz que a qualidade do que vem por ai vai ser tão boa quanto o que temos hoje. Se você curte história, a família real, a Inglaterra ou séries que retratem o passado, corre. Essa produção é um combo perfeito.

Literatura Brasileira, Livros, Romances

Resenha: Como tatuagem, Walter Tierno

Como tatuagem me atraiu por conta do título. Adoro tatuagens, histórias de tatuagens e pessoas tatuadas. A sinopse me chamou a atenção, apesar de me deixar com a impressão de saber como seria o fim. Tierno conseguiu uma façanha, na verdade: criou dois personagens com personalidades muito difíceis de gostar, uma história que dava pra imaginar onde chegaria e, ainda assim, me surpreendeu e me deixou presa à leitura. Acertei algumas coisas e errei outras, mas considerando tudo, gostei do resultado!

Artur é um cara rico, superficial e egoísta. Bonito e popular entre as mulheres, não tem o menor respeito por elas — sua vida amorosa se resume a colecionar parceiras na cama. Essa rotina de prazeres e privilégios é interrompida quando ele sofre um grave acidente de carro. Para ajudá-lo a se recuperar, sua mãe contrata a fisioterapeuta Lúcia.
Desde criança, Lúcia sofre o preconceito que persegue os portadores de vitiligo. Sua mãe sempre esteve presente para apoiá-la e fazê-la enfrentar os obstáculos que a vida lhe impõe. De temperamento doce, porém decidido, Lúcia tem uma consciência peculiar e aguda sobre o mundo. Mas, quando se vê sem o amparo materno, suas certezas desabam.
O encontro de duas pessoas tão diferentes vai gerar muito atrito, mas com o tempo Lúcia e Artur vão descobrir algumas das infinitas facetas do amor e, entre conquistas, medos, perdas e paixões, verão suas vidas transformadas para sempre.

Fonte: Skoob

O livro começa com Artur. O típico playboy que se acha melhor que todo mundo e só quer pegar todas as mulheres. Filho de gente rica, ganhou um apartamento do pai que usa só para levar suas conquistas e despachá-las no meio da noite. A narrativa começa com ele contando um último encontro que teve com Cris até o acidente que sofreu que causou sua amputação. Não tem como simpatizar com ele.

Conhecemos então Lúcia, que divide a narrativa com Artur. Ela narra um de seus dias comuns, mas que acaba sendo péssimo. Ela tem vitiligo e sofre preconceito de uma das pacientes da clínica onde trabalha. Se já não fosse suficiente, no almoço recebe uma ligação contando que sua mãe faleceu. As duas tragédias já acontecem no começo do livro e lideram a narrativa.

Lúcia acaba contratada para ser fisioterapeuta de Artur e é a partir de então que a história se desenvolve e fica envolvente.

A história se passa em São Paulo e o autor faz questão de nos localizar em várias cenas, com nomes de praças, metrôs e ruas, o que foi meio fail porque não me ajudava em imaginar a história (não conheço SP bem o suficiente pra entender quanto tempo a Lúcia ficou no caminho entre a casa e a clínica dela, por exemplo). As doses de realidade, tanto nos acontecimentos, como no modo da narrativa, deixam esse livro bem distante das fantasias. Acho que o autor exagerou um pouco nos dramas envolvidos, mas eles não tiram a ideia de realidade da história.

Cada capítulo é contado por um dos dois, em primeira pessoa. No começo, sem muita relação entre si, mas depois que se encontram, as histórias complementam-se e a variação dá bastante dinâmica para o livro. Para mim, a história acaba sendo clichê em seu geral, mas o livro traz várias particularidades que nos surpreendem e fazem dessa leitura uma daquelas que a jornada vale mais que o destino.

Ficha técnica
Autor: Walter Tierno
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 308
ISBN-10: 8576865343