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Música, Shows

John Mayer em Curitiba

O dia ainda estava claro quando, poucos minutos depois do horário marcado, a música do DJ parou e o telão anunciou o começo da apresentação de John Mayer e banda, pela turnê The Search for Everything. Com Moving On and Getting Better, John deu início a uma demonstração não apenas de seus hits, mas do talento como músico e de como entra em um mundo particular enquanto está no palco, fazendo caras e bocas enquanto toca inúmeros solos de guitarra e violão.

O show, dividido em quatro capítulos, teve início com toda a banda e com as músicas do seu último álbum, também chamado The Search For Everything, Changing e Helpless. A exceção dessa parte foi Why Georgia, um de seus primeiros sucessos.

Para o segundo capítulo, uma apresentação acústica e solo – a não ser por um momento, quando um percussionista acompanhou a melodia. Aqui pudemos voltar um pouco no tempo com Dreaming With a Broken Heart e Neon. Com Daughters, sucesso absoluto, ficou a missão de colocar todo o público da Pedreira Paulo Leminski para cantar junto.

O Capítulo três teve uma introdução em vídeo, explicando a origem desse formato. Aqui vimos o John Mayer Trio, uma banda focada em blues e formada por John, pelo baterista Steve Jordan e o baixista Pino Palladino. Como esperado, as músicas com mais foco nesse ritmo apareceram: Vultures e Who Did You Think I Was.

Para encerrar, o quarto capítulo: um reprise do primeiro com toda a banda de volta ao palco. Mais sucessos dominaram a apresentação, como Queen of California, Waiting on the World to Change e Slow Dancing on a Burning Room. Também veio o pedido em massa por Stop This Train, atendido com direito a piada e acordo: a banda tocaria, se antes eles pudessem cantar as outras músicas que não eram Stop This Train e que estavam se sentindo menosprezadas por isso.

Durante Dear Marie, as luzes do palco apagaram e o público respondeu acendendo as lanternas dos celulares. Ao fim da música John saiu do palco e deixou todos na expectativa. Foi um momento “à luz de velas” aparentemente não planejado: aconteceu uma queda na iluminação mesmo. No encore, Stop This Train veio e teve seu começo iluminado apenas por telas brancas improvisadas nos telões laterais e do fundo do palco. Mas para o fim, tudo já estava normal, para a felicidade de quem estava longe do palco. O encerramento ficou por conta de Gravity, hit bem conhecido dos fãs.

Foram 18 músicas e duas horas de show, mas ainda assim sucessos acabaram de fora. Tanto as mais novas Love On The Weekend e You’re Gonna Live Forever in Me, quanto as mais antigas, como Your Body is a Wonderland. Acabou que o set-list foi diferente dos outros dois shows da turnê que já aconteceram no Brasil, o que é quase uma marca de John Mayer – tentar adivinhar o set-list tendo como base apresentações passadas é quase um pesadelo.

Durante todo o show, John abusou do talento na guitarra. Solos e mais solos encantaram os fãs Curitibanos. John não interage muito, mas é visível que ele está 100% no palco, completamente dedicado às músicas e nos dá um pedacinho desse seu universo em cada apresentação.

O set-list completo:

Chapter 1: Full Band
Moving On and Getting Over
Why Georgia
Helpless
Changing
In the Blood

Chapter 2: Acoustic
Dreaming With A Broken Heart
Daughters
Neon

Chapter 3: Trio
Cross Road Blues
Vultures
Who Did You Think I Was

Chapter 4: Full Band (Reprise)
Queen of California
Something Like Olivia
Slow Dancing In A Burning Room
Waiting On The World To Change
Dear Marie

Encore:
Stop This Train
Gravity

Música, Shows

Paul McCartney em Porto Alegre

E como um show nunca é só um show

Assistir a um show do Paul McCartney é uma experiência completa: música, luzes, diversos instrumentos, produção audiovisual e pirotecnia. Aos 75 anos, além de ter uma energia absurda, o espetáculo que traz não fica atrás de nenhum grande nome da música que seja mais jovem. O show que aconteceu sexta-feira (13/10) em Porto Alegre foi o primeiro no Brasil da turnê One on One, que começou em abril de 2016.

Um novo set-list recheado de sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo entreteve o público durante as quase três horas de apresentação, que começou poucos minutos depois das 21h. Como aconteceu em outras passagens dele pelo Brasil (e imagino que deva ser assim sempre), mais ou menos meia hora antes de começar o show em si, um vídeo com fotos e vídeos de toda a história dele começa e a gente nem percebe os últimos minutos de espera pro show. Dessa vez, vimos a vida de Paul e sua carreia artística, acompanhando os anos passarem pelos fatos históricos representados, como a coroação da Rainha Elizabeth e a chegada do homem à lua.

Apesar de ter algumas músicas quase fixas no set-list, pude ouvir outras 14 diferentes do último show que fui em São Paulo. Para começar, A Hard Days Night, música que, pelo que li, não era tocada ao vivo por um Beatle desde 1965. A partir daí fomos intercalando sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo, como Can’t Buy Me Love e Jet.

Em um palco improvisado no meio do verdadeiro palco, a banda ficou mais próxima em uma representação de uma viagem ao passado. Com a projeção de uma casa no telão, ouvimos alguns dos primeiros sucessos dos Beatles, inclusive a primeira música gravada pelos Fab Four, In Spite of All The Danger.

As tradicionais homenagens não ficaram de fora. Maybe I’m Amazed para Linda, My Valentine para Nancy, Here Today para John e Something para George. Dessa vez também houve mais uma: Love Me Do para George Martin, produtor dos Beatles. Outra coisa que não mudou foi a reação do público em Ob-la-di Ob-la-da, de uma felicidade imensa, e as músicas que encerram a primeira parte do show – Let it Be, Live and Let Die e Hey Jude, que sempre transforma o show em um grande coral.

Para Live and Let Die, um renovado conjunto de fogo e fogos de artifício levaram o público ao delírio – e também deram alguns sustos.

Na volta, ao palco, as conhecidas bandeiras do Brasil e do Reino Unido vieram acompanhadas da do movimento LGBT. No repertório, momento para os últimos acordes: Yesterday, que foi seguida por Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) – e fez meu show valer – meninas no palco dançando Birthday e o tradicional fim com Golden Slumbers, Carry the Weight e The End.

Foram 39 músicas, 25 sucessos dos Beatles (e ainda ouvi quando acabou que ele deveria cantar mais Beatles, pasmem!). Apesar da maioria já ter anos de história, o álbum New também fez parte do setlist, além de FourFiveSeconds, gravada com Rihanna e Kanye West.

Mas que o show do Paul McCartney é incrível você provavelmente já ouviu antes.

O que pouca gente comenta é como a experiência de ir nesse show é diferente das outras. Dessa vez fomos de avião e, ao chegar ao aeroporto, começamos a encontrar as camisetas do Paul e dos Beatles. Ao chegar em Porto Alegre, notícias sobre Paul no jornal do almoço, um shopping próximo ao estádio estava com uma exposição contando a história dos Beatles, com alguns objetos, como discos, ingressos e autógrafos expostos.

Além disso, o público é absurdamente diverso. De crianças a idosos. Gente fã de Beatles, de Wings, do Paul. Fã das músicas mais românticas, dos solos de guitarra, das animadas ou da pirotecnia de Live and Let Die.

Da primeira vez que vi Paul McCartney, conhecia pouco do seu trabalho pós-Beatles e fui mais pela experiência de ver um deles ao vivo. Da segunda vez, fui para levar minha mãe – que também é fã, mas não pode ir comigo no primeiro – e o que mais vi foi esse desejo de viver a Beatlemania nos anos 2010. Dessa vez, vi Paul por Paul.

São anos de história que ele mesmo faz questão de homenagear, sempre lembrando os Beatles como grupo. São anos de história que ele aceita que precisa trazer para um show porque, se optar por ignorar, vai gerar uma grande decepção. Mas não tem como negar que ele também é um músico que segue se renovando, com várias fases. É um artista que transmite muito no palco. Que fica mais jovem a cada música. Que interage, sorri, puxa o público para participar. É uma apresentação que é tão gostosa que, mesmo durando tanto, a gente mal vê passar.

O set-list completo:

  • A Hard Day’s Night
  • Junior’s Farm
  • Can’t Buy Me Love
  • Jet
  • Got to Get You Into My Life
  • Let Me Roll It
  • I’ve Got a Feeling
  • My Valentine
  • Nineteen Hundred and Eighty-Five
  • Maybe I’m Amazed
  • We Can Work It Out
  • In Spite of All the Danger
  • You Won’t See Me
  • Love Me Do
  • And I Love Her
  • Blackbird
  • Here Today
  • Queenie Eye
  • New
  • Lady Madonna
  • FourFiveSeconds
  • Eleanor Rigby
  • I Wanna Be Your Man
  • Being for the Benefit of Mr. Kite!
  • Something
  • A Day in the Life
  • Ob-La-Di, Ob-La-Da
  • Band on the Run
  • Back in the U.S.S.R.
  • Let It Be
  • Live and Let Die
  • Hey Jude

Encore:

  • Yesterday
  • Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
  • Helter Skelter
  • Birthday
  • Golden Slumbers
  • Carry That Weight
  • The End
Música, Shows

Maroon 5 em Curitiba

If happy ever after did exist, I would still be holding you like this, ou mais ou menos isso, é a sensação que ficou depois do show do Maroon 5 em Curitiba na última quinta-feira, dia 14 de setembro. Depois de algumas horas de discotecagem da DJ responsável pela abertura (situação que ficou meio chata pois pouca gente realmente prestou atenção) a entrada da banda foi bem pontual, o que tranquilizou vários dos fãs que se lembram de ter esperado em pé por mais de três horas no show que aconteceu em 2012.

Apesar do áudio do microfone estar meio baixo, Adam Levine dominou o palco e animou quem estava presente. A primeira música, Moves Like Jagger, teve uma abertura diferentona – a banda curte dar uma boa risada e colocaram uma montagem de músicas assobiadas para aumentar a ansiedade de quem esperava, só pode.

No setlist, hits mais atuais como Animals e Sugar, mas sem deixar de lado os primeiros sucessos como This Love e She Will Be Loved, do primeiro álbum. She Will Be Loved, aliás, virou uma das minhas melhores memórias de shows, pois o eco do público cantando, acompanhados apenas da voz de Adam e violão de James Valentine tornaram o momento incrível. Além disso, eles perceberam que um casal que estava na grade tinha acabado de noivar e dedicaram a música aos dois, com direito a conselho amoroso: “Happy wife, happy life”. Outro momento lindo foi quando, à capela, cinco dos integrantes se abraçaram e cantaram os primeiros acordes de Payphone.

Senti falta dos últimos lançamentos no setlist e de um pouco mais de interação com o público – o show é super acelerado, um hit atrás do outro e acaba pouco espaço para um contato mais pessoal entre banda e fãs. A última música foi um cover e não sei até que ponto foi uma boa ideia já que deu pra perceber que nem todos conheciam o que eles estavam tocando e o fim do show é aquele último momento para tornar a apresentação inesquecível. A acústica também poderia ser melhor – detesto ir em show e não precisar gritar para conversar com quem está do meu lado. Fiquei bem pertinho do palco e foi o que aconteceu praticamente o show todo, só arrumaram nas últimas músicas.

Tirando isso, é um show que vale muito a pena e que vou lembrar pra sempre. Os agudos do Levine são de outro mundo, é muito legal perceber como a banda investe em mais de um estilo de música e acabam com um repertório bem variado e gostoso de acompanhar. Adam tem uma presença de palco gigante, dança o tempo todo e não esquece de pisar em nenhum centímetro do espaço que tem disponível.

Depois do show ainda acompanhei pela tv as duas outras apresentações do Maroon 5 aqui no Brasil no Rock In Rio (fã louca) e posso dizer que, apesar de pequenas mudanças, a passagem da banda por aqui foi bem consistente e entregou o que prometeu: diversão para quem mais importa, seus fãs.

Setlist:

  1. Moves Like Jagger
  2. This Love
  3. Harder to Breathe
  4. Locked Away (Rock City cover)
  5. One More Night
  6. Misery
  7. Love Somebody
  8. Animals
  9. Maps
  10. Lucky Strike
  11. Let’s Dance (David Bowie cover)
  12. Sunday Morning
  13. Makes Me Wonder
  14. Payphone
  15. Daylight
    Encore:
  16. She Will Be Loved
  17. Don’t Wanna Know
  18. Sugar
  19. Let’s Go Crazy (Prince cover)
Shows

ED SHEERAN EM CURITIBA

Eu não estava planejando um post sobre esse show. Até pensei em escrever sobre algumas vezes, mas acabava deixando pra lá. Li uma notícia que definiu o show em São Paulo como ‘simplão, mas que encanta’, que me deixou com vontade de chegar aqui e dizer: não foi simplão não.

Ed Sheeran pode não ter uma mega-produção, bailarinos, fogos de artifício ou trocas de roupa, mas ainda bem. Não combinaria com o estilo de música que ele apresenta. O show tem cara de voz e violão, e, apesar de ter sido para um público enorme (parece que mais de 18 mil pessoas), se torna mais intimista – rolou até cantar Give Me Love a pedido do público.

Com um pop meio romântico, meio folk, ele se encarrega de recriar as músicas ao vivo. Com a voz, o violão e batidas, cria os ritmos utilizando um pedal e vai montando as músicas. Achei bem incrível como o show não perdia o ritmo, mesmo quando entre uma música e outra, Ed ia para o microfone gravar alguns sons – o que acabou sendo bem divertido, tentando adivinhar qual seria a próxima música.

O telão foi um show a parte: ao invés de criar cenários ou transmitir o show para quem estava mais longe, as telas atrás do palco se encarregaram de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O palco ficou lindo, a produção de luzes brilhou e é o que, junto com os arranjos das músicas, não me deixa ver o show como simplão. Simplão é show sem cenário, sem jogo de luzes. Show de festival. Ele não chegou aqui e apenas colocou a cara no palco, deu pra perceber o trabalho de produção para montar a apresentação que combinou muito com o estilo dele.

Com cara de quem gosta do que faz, Ed Sheeran manteve o público da Pedreira na palma da mão durante as quase duas horas de show. De camisa da seleção brasileira e bandeira do Brasil em mãos, encerrou a noite com a certeza de que agradou o público de Curitiba. Se for pra adicionar um pouco de poesia, diria que a música “What do I know?” representa bem o que ele faz no palco.

So let’s all get together, we can all be free
Spread love and understanding, positivity

Set-list:

  • Castle on the Hill
  • Eraser
  • The A Team
  • Don’t / New Man
  • Dive
  • Bloodstream
  • Happier
  • Galway Girl
  • Hearts Don’t Break Around Here
  • Give Me Love
  • Photograph
  • Perfect
  • Nancy Mulligan
  • Thinking Out Loud
  • Sing
  • Shape of You
  • You Need Me, I Don’t Need You