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Infanto-juvenil, Livros

RESENHA: GEORGE, ALEX GINO

George é o tipo de livro que me motiva a ter um blog sobre livros. Acho que isso já resume bem o que eu achei. É o primeiro livro com um protagonista transgênero direcionado para o público infantil/infantojuvenil feito no Brasil. É um livro para crianças, importante notar, então antes de começar a leitura a gente precisa lembrar como era ser criança.

Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque… é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

Peguei esse livro com a Galera Junior por pura curiosidade de como a história se desenvolve. Não faço parte da comunidade LGBT, mas isso não me impede de simpatizar com a causa e ficar feliz de ver um livro com a temática voltado para crianças. Como alguém que vê de fora, fiquei bem feliz com o resultado desse livro.

É bem difícil para mim imaginar a confusão que deve se passar na cabeça de uma criança que ouve que é menino mas se entende como menina. Vai além do gostar de coisas de menina – que deveria ser algo normal, vamos combinar. Meninos deveriam poder gostar de coisas de menina do mesmo modo que meninas devem poder gostar de coisas de meninos, sem preconceitos. Mas voltando ao livro, George sabe muito bem o que é e o que gosta, mas não faz ideia de como contar isso para as pessoas.

Quando uma peça de teatro surge na escola, George se apaixona pela personagem Charlotte e com a ajuda da amiga Kelly, que descobre meio sem querer que George é menina, bola um plano para ser Charlotte no palco e, quem sabe, fazer as pessoas entenderem que ele também é uma menina fora dele.

Alex Gino trouxe naturalidade para tratar questões de gênero, bullying e mesmo descobertas da infância. O enredo se desenrola em cenas que poderiam ser reais – não tem nada que force a realidade. A escrita é simples e a narrativa é em 3ª pessoa focada em George. A capa está super fofa, especialmente a contracapa que reforça a principal mensagem da história: seja quem você é.

Lembro muito bem de me identificar com personagens e me inspirar em suas ações. Espero que George faça o mesmo com as crianças transgênero que precisam saber que são, sim, normais.

Ficha técnica
Autor: Alex Gino
Editora: Galera Junior
Ano: 2016
Páginas: 144
ISBN-10: 8501077674

Blog, Livros

Adeus, 2016. Olá, 2017.

2016 chegou cheio de surpresas, especialmente considerando o blog, que nasceu nesse ano. Foi um ano diferente, que impôs algumas cobranças para nossas leituras, mas que também nos provou como é gostoso compartilhar ideias sobre livros.

Fechamos o ano com 53 resenhas aqui no blog. Destas, 48 foram de lançamentos.Também comentamos filmes e séries e conhecemos muitas histórias no ano que passou. Algumas acabaram não aparecendo por aqui, mas você pode conhecer nossas histórias favoritas do ano nesse TOP 9 que separamos.

TOP 9 2016

Erramos, aprendemos, escrevemos, lemos e criamos. Em um ano, muito mudou da nossa concepção do que é ter um blog, como fazer resenhas, como escolher leituras e muito mais. É gostoso chegar nessa data e perceber que evoluímos. Com esses novos aprendizados, daremos continuidade ao Sobre Livros e Outras Coisas em 2017.

Já disse J.K. Rowling que nenhuma história vive a não ser que pessoas queiram ouvi-las e, também podemos dizer, existe público para diferentes mundos, gêneros e tamanhos por ai. Mas não só a vontade de contar e conhecer histórias move o mercado da escrita criativa. Aproveitando que nos aventuramos por muitos gêneros literários em 2016 resolvemos criar aqui no blog uma nova categoria de posts sobre escrita: dicas para blogs, textos e livros num geral.

E, como não poderia passar em branco, apresentamos hoje nossas maiores expectativas para 2017! Com certeza vai ter post sobre aqui no blog. É o nosso top 9 de lançamentos ou histórias que queremos conhecer.

Drama, Young Adult

Resenha: Garota Desaparecida, Sophie McKenzie

A história criada por McKenzie mostra como pequenos acontecimentos podem mudar nossas vidas. Quem nunca teve que se descrever para algum motivo? Seja na escola, num perfil na internet ou em qualquer outro lugar. É raro não ficarmos em dúvida do que colocar, mas Lauren tem motivos extras para isso.

Lauren mora na Inglaterra e sempre soube que é adotada. Mas, quando uma breve pesquisa sobre o seu passado revela a possibilidade de ela ter sido roubada de uma família americana ainda bebê, a vida de Lauren de repente parece uma fraude. O que ela pode fazer para tentar encontrar os pais biológicos? E seus pais adotivos terão sido os responsáveis por sequestrá-la? Lauren convence sua família a fazer uma viagem para o outro lado do Atlântico e, lá chegando, foge para tentar descobrir a verdade. Mas as circunstâncias de seu desaparecimento são sombrias, e os sequestradores de Lauren ainda estão à solta — e dispostos a qualquer coisa para mantê-la calada.
Fonte: Skoob

O que eu mais gostei nessa história é como os fatos começam. Lauren está escrevendo uma redação para a escola sobre quem é, e, por acaso, resolve pesquisar seu nome em uma site de crianças desaparecidas. Sua mãe adotiva, apesar de ser clara sobre a adoção, não quer contar mais detalhes para a protagonista, o que desencadeia toda a história de descobrir por ela mesma seu passado.

Essa leitura fluiu muito rápido. Foram 238 páginas lidas em um único dia, com várias pausas. A autora consegue te envolver e, com uma linguagem simples e acontecimentos rápidos, logo chegamos ao desfecho da história.

Gostei bastante da construção do enredo. Lauren não é revoltada, apenas curiosa. E dá pra entender os motivos que a levam a tomar as decisões e escolhas que direcionam a história. Achei alguns fatos meio forçados no meio da narrativa, como as partes que citam os sequestradores, mas não é nada que estrague a história.

É o livro de estreia de Sophie Mackenzie e já tem sequências publicadas no exterior. A história foi inspirada num caso real de uma criança desaparecida, o que torna ainda mais legal a leitura. Super indicado para fãs de YA, suspense e livros para ler em um dia.

Ficha técnica
Autor: Sophie McKenzie
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 238
ISBN-10: 8576864177

Drama, Livros, Young Adult

Resenha: Novembro, 9, Colleen Hoover

O que faz um beijo valer um livro? Essa é a pergunta que aparece nas primeiras páginas de Novembro, 9, e dá a direção para o desenvolvimento da história. O que faz os romances literários melhores (ou piores) que os reais? O que a gente ama num livro, mas sairia correndo se estivesse vivendo?

Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?
Fonte: Skoob

Fallon conhece Ben em uma situação inusitada: em um almoço com seu pai, quando as coisas não vão nada bem, Ben, que estava na mesa ao lado, decide sentar ao lado dela e fingir ser seu namorado. O dia? 9 de novembro. Mas esse dia também não é uma data qualquer. Além de Fallon estar de mudança para Nova York naquela noite, foi quando, alguns anos antes, ela estava na casa de seu pai, durante um incêndio.

O fogo deixou cicatrizes tanto em seu corpo quando em sua personalidade. Ele pausou sua promissora carreira de atriz mirim, afetou seu relacionamento com o pai, que escapou ileso do fogo e esqueceu que Fallon estava na casa. Ele tirou muito da sua autoconfiança e, de algum modo, tirou muito de sua vida. Por isso ela está de partida para o outro lado do país, em busca de um recomeço.

Mas Ben surge e entre eles, uma química incrível. Romance digno de livro, mas Fallon não quer se iludir e segue uma regra de sua mãe, de não se apaixonar antes dos 23 anos. Eles criam então uma saída: se encontrar novamente dali um ano. Não trocam telefone ou e-mail, bloqueiam o outro nas redes sociais e prometem não tentarem contato até o próximo encontro. A história impediria Fallon de se entregar e também daria a Ben um enredo para seu livro.

A ideia é super bacana e Colleen escreve de uma maneira que te convence que é a melhor solução para a história deles, mesmo com todos os potenciais riscos. A história nos conta cada um dos 9 de novembro que seguem, nos atualizando sobre o ano anterior e dando uma ideia do futuro. É natural torcer para a felicidade dos dois como casal, mesmo que isso só aconteça no futuro.

Apesar de ser um romance até certo ponto clichê, a autora criou belas revira-voltas na história. Fatos novos e surpreendentes que dão um novo tom para a narrativa e deixam a história mais densa, de certo modo, e também mostram os motivos do sucesso de Colleen como escritora. É um livro maravilhoso para fãs de YA, romances, que te fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Mais que aprovado!

Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Páginas: 352
ISBN-10: 8501076252

Literatura Brasileira, Livros, Romances

Resenha: Como tatuagem, Walter Tierno

Como tatuagem me atraiu por conta do título. Adoro tatuagens, histórias de tatuagens e pessoas tatuadas. A sinopse me chamou a atenção, apesar de me deixar com a impressão de saber como seria o fim. Tierno conseguiu uma façanha, na verdade: criou dois personagens com personalidades muito difíceis de gostar, uma história que dava pra imaginar onde chegaria e, ainda assim, me surpreendeu e me deixou presa à leitura. Acertei algumas coisas e errei outras, mas considerando tudo, gostei do resultado!

Artur é um cara rico, superficial e egoísta. Bonito e popular entre as mulheres, não tem o menor respeito por elas — sua vida amorosa se resume a colecionar parceiras na cama. Essa rotina de prazeres e privilégios é interrompida quando ele sofre um grave acidente de carro. Para ajudá-lo a se recuperar, sua mãe contrata a fisioterapeuta Lúcia.
Desde criança, Lúcia sofre o preconceito que persegue os portadores de vitiligo. Sua mãe sempre esteve presente para apoiá-la e fazê-la enfrentar os obstáculos que a vida lhe impõe. De temperamento doce, porém decidido, Lúcia tem uma consciência peculiar e aguda sobre o mundo. Mas, quando se vê sem o amparo materno, suas certezas desabam.
O encontro de duas pessoas tão diferentes vai gerar muito atrito, mas com o tempo Lúcia e Artur vão descobrir algumas das infinitas facetas do amor e, entre conquistas, medos, perdas e paixões, verão suas vidas transformadas para sempre.

Fonte: Skoob

O livro começa com Artur. O típico playboy que se acha melhor que todo mundo e só quer pegar todas as mulheres. Filho de gente rica, ganhou um apartamento do pai que usa só para levar suas conquistas e despachá-las no meio da noite. A narrativa começa com ele contando um último encontro que teve com Cris até o acidente que sofreu que causou sua amputação. Não tem como simpatizar com ele.

Conhecemos então Lúcia, que divide a narrativa com Artur. Ela narra um de seus dias comuns, mas que acaba sendo péssimo. Ela tem vitiligo e sofre preconceito de uma das pacientes da clínica onde trabalha. Se já não fosse suficiente, no almoço recebe uma ligação contando que sua mãe faleceu. As duas tragédias já acontecem no começo do livro e lideram a narrativa.

Lúcia acaba contratada para ser fisioterapeuta de Artur e é a partir de então que a história se desenvolve e fica envolvente.

A história se passa em São Paulo e o autor faz questão de nos localizar em várias cenas, com nomes de praças, metrôs e ruas, o que foi meio fail porque não me ajudava em imaginar a história (não conheço SP bem o suficiente pra entender quanto tempo a Lúcia ficou no caminho entre a casa e a clínica dela, por exemplo). As doses de realidade, tanto nos acontecimentos, como no modo da narrativa, deixam esse livro bem distante das fantasias. Acho que o autor exagerou um pouco nos dramas envolvidos, mas eles não tiram a ideia de realidade da história.

Cada capítulo é contado por um dos dois, em primeira pessoa. No começo, sem muita relação entre si, mas depois que se encontram, as histórias complementam-se e a variação dá bastante dinâmica para o livro. Para mim, a história acaba sendo clichê em seu geral, mas o livro traz várias particularidades que nos surpreendem e fazem dessa leitura uma daquelas que a jornada vale mais que o destino.

Ficha técnica
Autor: Walter Tierno
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 308
ISBN-10: 8576865343

Biografia, Livros

Resenha: Giba Neles!, Giba e Luiz Paulo Montes

No país do futebol, descobri que gostava de vôlei nas Olimpíadas de 2004 e ali virei fã do Giba e seus ataques (e algumas defesas também) incríveis. Com a seleção que ganhou aquele ouro olímpico, descobri um Brasil que continua a me fazer torcer muito. Ler esse livro seria natural, mas uma matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo quase me fez desistir por focar nas polêmicas e me passar a impressão que esse seria um livro de fofocas. Voltei atrás por um motivo besta: ele fez uma tour de lançamento e estava autografando os livros. Mas ainda bem que o fiz.

Giba, maior jogador da história do vôlei brasileiro e um dos melhores do mundo, tem uma trajetória incrível fora das quadras também. Sem medo de se expor, o ídolo conta sua história repleta de momentos de superação, como a leucemia aos quatro meses de idade; de encontros fascinantes e de polêmicas, como o doping na Itália, a conturbada derrota no Mundial de 2010 e as razões da turbulenta e repentina saída do levantador Ricardinho.
Em parceria com o jornalista Luiz Paulo Montes, Giba apresenta um panorama corajoso, bem-humorado e instigante do esporte em que o Brasil atingiu a hegemonia absoluta, o voleibol.
Fonte: Skoob

O Giba é um cara carismático e isso fez com que eu prestasse mais atenção nele em jogos. Isso e o fato dele virar várias bolas. Mas seu carisma é o que destaco hoje, pois possivelmente foi o que o fez conquistar tantos fãs e continuar na mídia mesmo depois da aposentadoria da seleção. Esse livro, acredito, é mais uma forma de aproximar o jogador do seu público, especialmente considerando que ele foi lançado um pouco antes das Olimpíadas de 2016, e ele foi um dos contratados pela Globo para fazer os comentários.

Em Giba Neles!, jargão criado por Galvão Bueno (e nome de um flog que eu acessava muito quando tinha meus 13 anos), conhecemos a biografia de Gilberto Godoy. A sua infância, dificuldades, peraltices e como começou a praticar vôlei. Quando a gente acompanha um atleta de alto nível, suas conquistas são mais aparentes e no livro ficamos sabendo o caminho percorrido até o sucesso chegar. É aquele clichezão, mas é também a proposta do livro.

O livro não é dos mais longos e, dividido em capítulos que marcam algum acontecimento importante, colocam a vida do jogador como um filme. É uma leitura que envolve, especialmente se já tem uma simpatia por ele, e te deixa curioso para saber mais sobre os bastidores de todo o processo até um atleta chegar a um ouro em uma competição importante e também os bastidores de competições e um pouco mais sobre como é a convivência e rotina de um grupo de seleção – e não é nada de fofoca, como eu cheguei a pensar.

Essa é daquelas histórias que você não sabe se quer terminar logo ou guardar um pouco para ler todo dia e continuar aproveitando a história. Eu li por uma semana, minha avó leu em dois dias. Para quem gosta de biografias, esse livro é uma ótima indicação!

Ficha técnica
Autor: Giba e Luiz Paulo Montes
Editora: Globo Livros
Ano: 2015
Páginas: 200
ISBN-10: 8525060011

Livros, Young Adult

RESENHA: A GEOGRAFIA DE NÓS DOIS, JENNIFER E. SMITH

Se você está em busca de um romance cheio de fofura, a Jennifer é a sua autora. Em A geografia de nós dois, ela escreve sobre várias formas de amor. Amor à primeira vista, amor jovem, amor de família e também sobre a saudade e o amor implícito nesse sentimento.

Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo… E é a meio caminho que ambos se encontram – presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir… Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir à distância? Em A Geografia de Nós Dois, Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade.
Fonte: Skoob

Meu primeiro contato com a escrita da Jennifer foi em A probabilidade estatística do amor à primeira vista, que tem esse título gracinha e uma capa mais fofa ainda. Peguei A geografia de nós dois já imaginando um pouco do que encontraria e não errei. Isso foi bom por um lado, mas decepcionante por outro.

Lucy e Owen se conhecem quando ficam presos no elevador durante um blecaute que atinge toda Nova York. Os dois estavam sozinhos no dia então, depois de saírem do elevador, decidem ir juntos em busca de lanternas e outros itens básicos para a situação, como água e pilhas. Essa parceria acaba evoluindo para algum tipo de sentimento entre eles, mas nada que seja definido como paixão.

Depois desse dia eles não se veem mais, a não ser uma outra única vez, mais ou menos uma semana depois, no saguão do prédio quando os dois sabem que estão indo embora de Nova York. Apesar do pouco tempo, os dois já têm sentimentos um pelo outro, apesar de não mostrarem de verdade.

À distância, eles acabam criando uma tradição de enviar cartões postais e passam todo o tempo se comunicando por meio deles. O tempo passa e o livro torna-se um conto sobre amor, encontros, despedidas e reencontros. É uma leitura super gostosa, bastante real e trata com bastante sutileza os sentimentos dos dois, algo que me deixou leve quando lia.

O que me decepcionou foi que esse livro poderia ter o mesmo título do outro que já li da autora. São temas completamente diferentes, mas ela usa a mesma receita e acaba criando uma história sobre amor à primeira vista e utiliza alguns outros fatores semelhantes na história secundária, como casamentos e velórios. Ainda bem que as histórias não se tornam parecidas, mas deu pra perceber qual é a zona de conforto da autora – sorte dela que sabe conduzir as histórias e criar romances gostosos de acompanhar! A narrativa é dividida entre Owen e Lucy e isso nos dá uma visão privilegiada não só dos sentimentos dos dois, mas também da vida e acontecimentos ao longo do livro. Super indicado para os fãs de romances leve e tranquilos.

Ficha técnica
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Páginas: 272
ISBN-10: 8501106224

*Livro cedido em parceria com a editora.

Harry Potter, Livros, Teatro

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child, JK Rowling

Faz alguns dias que eu estou com esse post aberto só pensando em como resenhar essa história. Eu estava ansiosa pra esse lançamento porque Harry Potter foi muito importante na minha infância e adolescência. Eu não estava doida por um livro que fosse uma continuação, mas também não fui contra. Evitei spoilers até onde deu e pude aproveitar uma leitura gostosa – e pra evitar atrapalhar a leitura ou experiência de algum sortudo que vá assistir à peça, essa resenha foi aprovada pelo #KeepTheSecrets.

Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é muito fácil agora, já que ele é um funcionário cheio de trabalho no Ministério da Magia, um marido e pai de três crianças na idade escolar. Enquanto Harry luta com um passado que se recusa a ficar onde pertence, seu filho mais novo, Alvo, precisa lidar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. Enquanto passado e presente começam uma sinistra fusão, pai e filho aprendem uma verdade desconfortável, pois a escuridão vem de lugares inesperados.
Fonte: Skoob

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é como aquele encontro de 10 anos de formatura que você faz com os amigos. Apesar de ser um formato bem diferente, não tenho como explicar o quentinho no coração que veio ao ler uma cena com Harry, Ron e Hermione juntos – ainda que a história seja a de 19 anos depois que vimos em Relíquias da Morte. O livro retoma a história onde o último parou e agora temos mais do que algumas páginas sobre a vida adulta dos protagonistas.

Por ser em formato de peça, a leitura é super rápida. A maioria dos diálogos te envolve, mas é preciso usar um pouco da imaginação que os outros livros da série te deram para entender o que está acontecendo. Esse roteiro foi escrito pela J.K. Rowling, junto com John Tiffany e Jack Thorne, então tem o dedinho de gente de fora.

Sobre ser uma peça

Honestamente, passei metade do livro tentando visualizar como eles estão fazendo a magia acontecer sem os efeitos especiais do cinema. É esquisito não ter um narrador guiando a história, mas os diálogos dão conta do recado.

Sobre a história

A coisa com Harry Potter é que nós somos apaixonados pelo universo criado e a relação dos fãs já é algo de amor platônico. Li isso sobre Star Wars, mas encaixa certinho: nós amamos a ideia de Harry Potter, mas não amamos algumas decisões das histórias tomadas pela JK, pelos responsáveis dos filmes, ou nesse caso, desse roteiro. A história de Cursed Child não parece uma história de Harry Potter. Apesar de ter magia, Hogwarts, fantasia e aventura, o foco é bem diferente. É uma história com personagens e cenários que conhecemos, mas não é Harry Potter. O enredo ainda pode ter algumas mudanças, já que essa é a versão de ensaios e não o roteiro finalizado, mas ainda assim.

Me pareceu que JK Rowling aliviou algumas das regras que criou para o universo (só para dar um gostinho, ela mexe com o tempo) para a história ser um aglomerado de coisas que os fãs gostaram de ler sobre. Imagino que a ideia dessa peça não foi apenas criar uma continuação, mas levar Harry Potter aos teatros e, por isso a diferença no foco da história. Apesar de ter alguns detalhes que podemos considerar falhas, ainda é uma delícia ler sobre Harry Potter. Só precisa conhecer o universo antes. Não comece pela peça que nada vai fazer muito sentido.

Sobre as personagens
Aqui fica minha crítica. Encontrei meus amigos no encontro da formatura e… eles mudaram tanto! Os autores tiveram que criar novos Ron, Hermione, Harry, Ginny e Draco para essa história. Eles tiveram que crescer e amadurecer, mas tem muita coisa que não fez muito sentido. Não gostei do Ron adulto como gostava do Ron adolescente. Algo acontece entre Bellatrix Lestrange e Voldemort que é difícil de entender. Da nova geração apenas dois personagens aparecem bastante e gostei do desenvolvimento deles, das ideias e ações. Algumas coisas esbarram nos adultos, mas é normal – até é por isso que livros com adolescentes como principais quase sempre ignoram a existência dos pais, como os próprios Harry Potters fizeram.

No fim das contas, eu adorei a existência desse livro por me fazer lembrar tudo o que eu adoro em Harry Potter. Por me dar mais uma chance de sentir aquela sensação de voltar para Hogwarts. Por poder ler mais sobre personagens que significam tanto para mim. Passa longe de ser uma obra prima, mas a ideia dele existir já é, pra mim, suficiente.

Aqui no Brasil o livro será lançado pela editora Rocco em 31 de Outubro. A pré-venda já começou e a editora vai disponibilizar edições em broxura e em capa dura! A peça está em cartaz em Londres e com ingressos esgotados.

Ficha técnica:
Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Little, Brown
Páginas: 343
Ano: 2016
ISBN: 978-0-7515-6535-5

Auto-ajuda, Livros

RESENHA: O GUIA DO GURU PREGUIÇOSO, LAURENCE SHORTER

Quando vi o título desse livro, fiquei super curiosa para saber que tipo de história seria. Quando peguei o livro, adorei como ele foi escrito. Quando li, gostei bastante do que encontrei.

Um divertido guia ilustrado que vai ajudá-lo a se auto aperfeiçoar de maneira inspiradora, consciente e sem esforço. O conceito de “ser preguiçoso” foi criado há milhares de anos pelas religiões e filosofias do Extremo Oriente. É o que os sábios chineses chamam de WU-WEI: uma maneira natural de ser, um estado de fluxo em que o corpo está relaxado e a atenção está focada. Apresentando uma série de atividades simples e rápidas, Laurence Shorter mostra que ser preguiçoso pode ser o segredo de uma vida plena, feliz e até mesmo mais produtiva. Com ilustrações inteligentes e divertidas, este livro vai ajudá-lo a encontrar o seu ritmo sem precisar de anos de meditação ou terapia. Fonte: Skoob

Qualquer pessoa que me fale que ser preguiçoso é algo considerado natural por sábios chineses já me ganha. Amo ter dias que tiro para fazer absolutamente nada, ficar jogada no sofá e ir vivendo sem planos. Mas esse livro vai além de ser um guia do que fazer com preguiça.

A ideia aqui é explicar como parar de planejar algumas coisas, parar de se estressar com outras e deixar a vida ir acontecendo pode ser um método para resolver situações do dia a dia. Parece auto-ajuda que tira a responsabilidade da sua mão (e também as consequências), mas não é exatamente isso. Segue para o lado de o mundo tem um fluxo, a vida segue um curso e a gente interage com esses fluxos. Pode ser mais produtivo ser preguiçoso do que quebrar a cabeça para resolver certas coisas.

O livro foi feito todo com desenhos e pouquinhas palavras por páginas. É, também, um livro para dias preguiçosos, já que é super fácil e rápido de ler. Não é auto-ajuda (apesar de ser classificado como) com uma receita para a felicidade, muito menos como solucionar a sua vida, mas é bom pra lembrar que de vez em quando a gente precisa desacelerar.

Ficha técnica:
Autor: Laurence Shorter
Editora: Best Seller
Ano: 2016
Páginas: 256
ISBN-10: 854650007X

Livros

RESENHA: OUTRO CONTO SOMBRIO DOS GRIMM, ADAM GIDWITZ

Contos de fada dificilmente decepcionam. Sou a louca viciada nessas histórias infantis e adoro como elas vivem rendendo releituras, adaptações e como são inspiração pra tanta gente. Outro Conto Sombrio dos Grimm é uma dessas incríveis releituras.

Depois de revisitar a história de João e Maria, mostrando o conto original dos irmãos Grimm, o autor mais uma vez usa a escrita original dos autores para mostrar a verdadeira aventura de João e o Pé de Feijão. Juntem-se a este conto de fadas pra lá de diferente e acompanhem João e Jill pelas histórias dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de outras figurinhas do universo do faz de conta. E se preparem para descobrir paisagens incríveis, que podem ou não! ser assustadoras, sangrentas, aterrorizantes e cheias de surpresas.
Fonte: Skoob

Adam Gidwitz resgatou a origem mais sangrenta dos contos de fadas nesse livro. Com três personagens principais e um narrador que vive conversando com o leitor, passamos por vários contos – não vou citar nomes porque não conheço todos – que estão conectados, criando uma grande história. Um dos personagens é João, aquele do pé de feijão. A outra, a Princesa Jill. O terceiro, um Sapo falante.

O fantástico dos contos de fadas está presente em todos os capítulos, que representam os diferentes contos que inspiraram o autor. Temos duendes, gigantes, feijões mágicos, animais que falam, sereias, espelhos mágicos, etc. A linguagem é bem gostosa e as conversas que o narrador tem com o leitor quebram a quarta parede, sendo assim, não somos leitores acompanhando a história, é mais como se alguém estivesse nos contando a história – o que faz todo o sentido com os contos de fadas, que antes de aparecerem nos livros eram contados e hoje geralmente são lidos para as crianças.

A história criada por Gidwitz é envolvente e conecta muito bem os contos. Jill foge de casa e vai ao encontro de seu primo João, que trocou sua vaca por um feijão que disseram ser mágico. Eles encontram uma bruxa que torna o feijão mágico, mas dá para eles um desafio: encontrar o espelho mágico ou então, ela os mataria. Eles começam então sua busca pelo espelho no ponto mais alto da terra, a casa dos gigantes que fica no topo do pé do feijão mágico. De lá, partem para o ponto mais baixo da terra, casa dos duendes.

As partes sangrentas da história são sangrentas. O autor não teve frescuras de narrar cenas nojentas. Claro, tudo com limites para a idade do público do livro. A minha impressão é que qualquer garoto (ou garota sem frescuras) de 10 anos vai amar essa história. Apesar de não ser um conto de fadas, exatamente, a história segue a estrutura narrativa desse gênero literário. Tem também personagens que representam o bem e o mal, presença de simbolismos e uma moral para a história.

É o segundo livro nesse estilo lançado pelo autor, mas não faz diferença ler ou não ou a ordem já que apenas a ideia é a mesma, mas as personagens e contos são outros. Sobre os contos, o Gidwitz adiciona ao fim do livro um capítulo contando as inspirações para as histórias. Achei super legal, até porque alguns contos não conhecia e ele explica ali como constrói a narrativa e como funciona essa coisa de inspiração para outras histórias.

Ficha técnica
Autor: Adam Gidwitz
Editora: Galera Junior
Ano: 2016
Páginas: 352
ISBN-10: 8501106860