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Resenha: A probabilidade estatística do amor à primeira vista, Jennifer E. Smith

A probabilidade estatística do amor à primeira vista é o tipo de livro que eu comprei pela capa (a versão brasileira, que é muito mais fofa do que a original). Ela me enganou um pouco sobre a história, mas foi um livro super gostoso de ler.

Com uma certa atmosfera de Um dia, mas voltado para o público jovem adulto, A probabilidade estatística do amor à primeira vista é uma história romântica, capaz de conquistar fãs de todas as idades. Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.
Fonte: Skoob

O jeito como Hadley e Oliver se conhecem é típico de sonhos/filmes de comédia romântica. E é o que dá o tom à história toda. Eles se conhecem no aeroporto e acabam sentando ao lado um do outro no avião, pela ajuda de uma senhorinha que acha que eles são namorados e se oferece para trocar de lugar com um deles.

Hadley não está nada animada com a viagem para Londres, já que está indo para o casamento do pai, algo que ainda não faz sentido para ela. Oliver aparece e acaba tornando toda a viagem mais agradável, mesmo com Hadley preocupada com o horário, já que atrasou-se e vai chegar em cima da hora da cerimônia. Como o nome do livro indica, os dois se dão super bem logo de cara e com o passar do tempo, vemos que tornam-se amigos e aparece aquela incerteza de talvez tenha algo a mais.

Oliver, apesar de ser atencioso, não nos conta logo de cara o que acontece com ele – sabemos desde o começo o motivo da viagem de Hadley, mas a dele não. A narrativa então usa o encanto dela por ele e esse mistério para se desenvolver.

A leitura é super leve e você quer logo chegar ao fim do livro para conhecer o desfecho da história. Apesar de ser um romance, a autora nos coloca em situações relativamente inusitadas nesse tipo de narrativa. As duas personagens principais são bem construídas, com um passado que justifica suas ações – o tanto que é possível desenvolver personagens e justificar escolhas em um livro curto, de narrativa leve sobre amor adolescente.

Eu até demorei alguns dias para ler, mas acredito que quem pega esse livro em um fim de semana com bastante tempo livre consegue ler rapidinho, em um ou dois dias. A escrita da Jennifer é super gostosa e a gente nem vê as páginas passarem.

Ficha técnica
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Páginas: 224
ISBN-10: 8501095443

Infanto-juvenil, Livros

RESENHA: GEORGE, ALEX GINO

George é o tipo de livro que me motiva a ter um blog sobre livros. Acho que isso já resume bem o que eu achei. É o primeiro livro com um protagonista transgênero direcionado para o público infantil/infantojuvenil feito no Brasil. É um livro para crianças, importante notar, então antes de começar a leitura a gente precisa lembrar como era ser criança.

Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque… é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

Peguei esse livro com a Galera Junior por pura curiosidade de como a história se desenvolve. Não faço parte da comunidade LGBT, mas isso não me impede de simpatizar com a causa e ficar feliz de ver um livro com a temática voltado para crianças. Como alguém que vê de fora, fiquei bem feliz com o resultado desse livro.

É bem difícil para mim imaginar a confusão que deve se passar na cabeça de uma criança que ouve que é menino mas se entende como menina. Vai além do gostar de coisas de menina – que deveria ser algo normal, vamos combinar. Meninos deveriam poder gostar de coisas de menina do mesmo modo que meninas devem poder gostar de coisas de meninos, sem preconceitos. Mas voltando ao livro, George sabe muito bem o que é e o que gosta, mas não faz ideia de como contar isso para as pessoas.

Quando uma peça de teatro surge na escola, George se apaixona pela personagem Charlotte e com a ajuda da amiga Kelly, que descobre meio sem querer que George é menina, bola um plano para ser Charlotte no palco e, quem sabe, fazer as pessoas entenderem que ele também é uma menina fora dele.

Alex Gino trouxe naturalidade para tratar questões de gênero, bullying e mesmo descobertas da infância. O enredo se desenrola em cenas que poderiam ser reais – não tem nada que force a realidade. A escrita é simples e a narrativa é em 3ª pessoa focada em George. A capa está super fofa, especialmente a contracapa que reforça a principal mensagem da história: seja quem você é.

Lembro muito bem de me identificar com personagens e me inspirar em suas ações. Espero que George faça o mesmo com as crianças transgênero que precisam saber que são, sim, normais.

Ficha técnica
Autor: Alex Gino
Editora: Galera Junior
Ano: 2016
Páginas: 144
ISBN-10: 8501077674