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Resenha: Primeiros contos de Truman Capote

Resenha de contos é algo que ainda acho complicado fazer, então vamos com uma lista de motivos para ler.

Reunião de contos inéditos, descobertos em 2013, na Biblioteca Pública de Nova York. Textos curtos e fortes, que já demonstram o talento para narrar histórias e a capacidade de empatia do autor, que se tornaria um dos mais importantes escritores do século XX com os emblemáticos Bonequinha de luxo e A sangue frio. Se os contos encontrados neste livro pudessem ser lidos como cinema, nos remeteriam aos filmes de Lucrecia Martel: as cenas são cotidianas e quase banais, mas ao entrar nas histórias, a sensação é de uma constante tensão. A atenção ao detalhe pareceria sem importância se não fosse um dos motores para sentirmos uma catástrofe iminente, que pode ser desencadeada a qualquer momento ou até não acontecer. De todo modo, ficamos muito próximos dos personagens e nos identificamos com eles, como se o autor tocasse na vida sem tentar explicá-la.
Fonte: Skoob

O livro apresenta 14 contos de Truman Capote escritos na adolescência do autor, ou seja, são prévios às obras que o consagraram. Antes de serem compilados nesse livro, estavam no arquivo do autor na Biblioteca Pública de Nova York.

Motivos para ler Os primeiros contos de Truman Capote:

  1. São contos simples – alguns bem curtinhos, outros um pouco mais longos – e que nos apresentam uma variedade imensa de cenários e personagens. Acredito que isso reflita a pouca experiência do autor quando os escreveu e a infinidade de ideias que moram na cabeça de qualquer escritor jovem.
  2. Conheço Truman por Bonequinha de Luxo e reconheci muito do estilo de escrita dele já nesses contos. As frases são sóbrias e retratam a realidade, com os pés no chão. Os assuntos apresentados nos contos são rotineiros e sensíveis, e, como diz a sinopse, nos apresenta o lado empático presente na literatura dele.
  3. Todos os contos têm uma pequena vira-volta na história; algumas previsíveis, algumas não, mas que dão um charminho. No geral, foi um livro que me agradou muito, primeiro por me tirar da minha zona de conforto chick-lit, YA e autores novos. Meus contos favoritos foram Hilda e Se eu te esquecer. Hilda pela temática, Se eu te esquecer pela delicadeza de sentimentos.
  4. O autor se tornou famoso (especialmente no meio jornalístico, com A Sangue Frio), então é sempre válido conhecer mais grandes nomes do mundo literário.
  5. Apesar de se passarem no passado, as histórias não são datadas. Aquela máxima de pessoas são pessoas em qualquer lugar ou época do mundo.
  6. A maioria dos contos lida com personagens marginalizados e a reação da maioria da sociedade perante alguns fatos. As temáticas ainda são válidas hoje e servem pra refletir um pouco sobre nossa sociedade.
  7. Por serem histórias curtinhas, a gente pensa que as personagens não vão ter tempo de nos conquistar. Pois me apaixonei por várias nas poucas linhas que Truman nos dá – ótimo livro para ter ideias de como fazer personagens e histórias intensas com poucas palavras.

Alguém mais já leu? Conta pra gente o que achou nos comentários!

Ficha técnica
Autor: Truman Capote
Editora: José Olympio
Páginas: 160
Ano: 2016

 

Contos, Livros

Resenha: O Papel de Parede Amarelo, Charlotte Perkins Gilman

O Papel de Parede Amarelo foi um livro surpresa que o Grupo Editorial Record nos mandou em março. É considerado um clássico da literatura feminista e é a primeira vez que o livro chega ao Brasil, um lançamento da Editora José Olympio.

Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.
Fonte: Grupo Editorial Record

O Papel de Parede Amarelo é daqueles livros que você lê tão rápido que, se não estiver atento, vai olhar e perguntar: “mas já acabou?”. Foi o que aconteceu comigo. Esse livro contém um prefácio, o conto em si e várias páginas sobre a autora. O sobre a autora, inclusive, é super válido pois ajuda a compreender a história, contextualiza a escrita e dá ainda mais sentido para o conto.

O conto é meio perturbador. Não consigo pensar em outro termo para definir. É escrito em primeira pessoa, como um diário, por uma mulher que está triste e desmotivada (podemos ler como depressão) mas que não tem esse quadro assumido por seu marido, médico, ou qualquer outro médico da época. Suas alternativas são passar um período em uma casa de campo ou então ir para um hospício.

O livro traz alguns costumes que, ao ler, faz qualquer pessoa entender o porquê de (ainda) precisarmos do feminismo. A personagem não está bem e não consegue exercer suas “funções de mulher” – não tem motivação para cuidar da casa, por exemplo. Ela é então “internada” nessa casa de campo, em um quarto que odeia, e é impedida de fazer esforço e até de pensar. No conto podemos acompanhar o que esse tratamento ocasiona. Não é uma leitura agradável, pois mostra o processo de enlouquecimento dessa mulher que, ao não ter nada para fazer, se depara com um papel de parede de péssimo gosto e decide decifrá-lo.

Apesar de nos deixar com um gosto meio ruim na boca ao ler, achei uma leitura bastante válida e que é ótima para abrir nossos olhos para nossa sociedade – não apenas o feminismo, mas também como ainda sofremos com doenças da mente e como é complicado o tratamento e até assumir a existência dessas doenças. É super bem escrito, mas não é muito direto, então o leitor precisa prestar atenção para realmente entender o que está lendo.

Ficha técnica
Autor: Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Páginas: 112
Ano: 2016
ISBN-10: 8503012723