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Resenha: É assim que acaba, Colleen Hoover

Colleen Hoover é o tipo de autora que sabe escrever um livro envolvente. Já li algumas histórias românticas criadas por ela e já sei um pouco o que esperar em seus livros. De qualquer maneira, esse me surpreendeu em vários aspectos.

Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade.
Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco.
Fonte: Grupo Editorial Record 

Lily, Ryle e Atlas são meus personagens preferidos da Colleen. A história se passa quando os três estão no começo da vida adulta, seus 20 e poucos anos, começando carreiras, mudando de sonhos e lidando com relacionamentos. Esse foi um dos aspectos que mais gostei no livro, já que até então só tinha lido livros dela direcionados a Young Adults, com os conhecidos personagens de 16 anos.

Os três têm histórias de vida que justificam quem são e decisões que tomam no presente. Marcados por fatos em seus passados, que aparecem com frequência em várias das situações do presente, temos uma narrativa que fica bem dinâmica. Lily é quem conta a história. Pelo seu ponto de vista, acompanhamos seu novo emprego e relacionamento com Ryle enquanto lemos seus antigos diários e conhecemos mais sobre ela e também sobre seu primeiro amor, Atlas.

Tudo poderia ser um romance água com açúcar, um triângulo amoroso, mas (como já é esperado em um livro da Colleen), temos uma situação dramática na história. Dessa vez, a pauta escolhida é a violência doméstica. Desde o começo do livro sabemos que o pai de Lily abusava de sua mãe, mas Colleen nos surpreende e coloca o assunto no centro da narrativa no presente e com nossos personagens principais.

“Quinze segundos. Isso é tudo o que é preciso para mudar completamente tudo sobre uma pessoa.”

Não tem como parar de ler depois que chegamos a esse ponto. Não tem como não nos colocarmos no lugar das personagens. É a partir daqui que a narrativa te coloca para refletir.

“Todos somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.”

Eu gostei muito do modo como as situações foram conduzidas. É tudo verossímil e isso deixa o livro muito melhor. Colleen fez um trabalho excelente em conduzir a narrativa sem induzir o leitor a ter uma opinião a favor ou contra os personagens. Você toma as próprias decisões e pode concordar ou não com as escolhas tomadas.

Considero esse o melhor livro publicado pela Colleen até o momento aqui no Brasil. Só achei que o título em inglês (It Ends With Us) faz muito mais sentido com a narrativa que a tradução, mesmo sendo quase um spoiler. Vale super a pena a leitura, mas também vale o aviso que temos cenas bem explícitas de violência. Inclusive, no fim do livro, temos notas da autora, que também são explícitas, sobre o que a inspirou a contar essa história.

Ficha técnica
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Páginas: 368
ISBN-10: 8501301647

Comédia, Livros, Romances

Resenha: O Projeto Rosie, Graeme Simsion

Quer se apaixonar pelas ações de um personagem? Pela narrativa e estilo de escrita? Conheça Don Tillman e O Projeto Rosie. A primeira vez que ouvi falar sobre essa história foi num daqueles textos que o Bill Gates faz divulgando listas de livros que ele gostou. O nome me chamou a atenção e, quando a Record relançou o livro com uma nova capa – assim que saiu o segundo volume da história – não tive dúvidas que queria conhecer a história. Ainda bem, porque me apaixonei perdidamente por essa narrativa.

Para se ter a vida de Don Tillman, não é preciso muito esforço. Às terças-feiras come-se lagosta com salada de wasabi; todos os compromissos são executados de acordo com o cronograma e, se apesar dessa programação, algum desagradável contratempo surgir em sua rotina, não há nada que não possa ser solucionado com meia hora de pesquisa científica. Exceto as mulheres. Até o momento, a única coisa não esclarecida pelos estudos no campo de atuação de Don, a genética, é o motivo para sua incapacidade de arrumar uma esposa. Uma namorada ao menos? Ou até mesmo uma amiga para somar ao seleto grupo de amigos de Don, formado por Gene, também professor na universidade, e a mulher dele, Claudia, psicóloga e esposa muito compreensiva. Para solucionar esse problema do modo mais eficaz, Don desenvolve o Projeto Esposa, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a filtrar candidatas inadequadas a seu estilo de vida. O único problema é que um questionário desse tipo exige tempo e dedicação, duas coisas que começaram a diminuir exponencialmente no cotidiano de Don desde que ele conheceu Rosie: fumante, vegetariana e incapaz de chegar na hora marcada. Ou esse era o único problema até Rosie entrar na vida de Don e – despretensiosamente, uma vez que ela nunca se candidatou ao Projeto Esposa – mostrá-lo que a mulher ideal não existe, mas o amor, sim.

Don é cheio de manias. Cheio mesmo. Sua rotina é cheia de detalhes e seu cronograma feito com base nos minutos. Isso poderia ser muito irritante em um personagem principal, não fosse o humor com que tudo é contado e o próprio enredo. Don quer uma esposa, mas não pode ser qualquer mulher – nem esperar uma paixão. Para encontrar a candidata perfeita, cria um questionário insano.

Em meio as entrevistas, conhece Rosie, que não sabe quem é seu pai. Don então decide ajudá-la e acaba percebendo que o questionário não vai bem, pois ele prefere passar seu tempo com Rosie – que, aliás, tem respostas erradas para quase todos os itens do questionário. Surge então O Projeto Rosie, e nós podemos acompanhar de perto as situações que esse casal passa.


A narrativa transforma esse livro em algo super divertido, que não queremos parar de ler. Don é o cara mais irritante e mais apaixonante que eu já vi – ele lembra um pouco o Sheldon, de The Big Bang Theory, mas consegue ter manias ainda mais esquisitas e ele sempre acaba em situações bizarras (para ele, para o leitor são mesmo super engraçadas). A leitura flui muito bem e quando vemos, a história já acabou e queremos mais. A ideia é muito boa e Graeme Simsion conduziu o livro muito bem.

É um livro que daria um ótimo filme de comédia romântica – aqueles estilo anos 90/00 que eram super divertidos e ótimos para um dia preguiçoso – mas apesar de terem algumas negociações, não parece que vai sair do papel tão em breve (existe um lançamento para maio de 2019, mas não sei se ainda é válido).

A edição que eu peguei é a segunda lançada aqui no Brasil, essa da da capa laranja, que, apesar de menos fofa que a outra (que vocês podem ver ali em cima), faz muito mais sentido com o estilo literário dos livros. Como curiosidade, o livro se passa na Austrália, de onde é o autor.

Em breve rola a resenha da continuação, O Efeito Rosie, por aqui. Não perca!

 

 

 

Ficha Técnica:
Autor: Graeme Simsion
Editora: Record
Ano: 2013
Páginas: 320
ISBN-10: 8501402214

Aventura, Livros

Resenha: A Morte do Capitão América, Larry Hama

A Morte do Capitão América foi meu primeiro contato com algo escrito da Marvel – nem quadrinhos eu tinha lido antes porque não gosto muito desse tipo de narrativa. O modo como a história é escrita e organizada é bem diferente do que estava acostumada, talvez por vir de quadrinhos, e me deixou curiosa do primeiro momento ao último.

Ele foi um herói para milhões de pessoas. Uma inspiração para as forças armadas norte-americanas e personificação dos maiores ideais de sua nação. Ele viveu por seu país – e agora, alvejado a sangue frio, deu sua contribuição final à terra que tanto amou. A morte do herói tem sérias consequências. Falcão, seu parceiro de toda a vida, faz da vingança sua prioridade. Sharon Carter, prisioneira dos capangas de Caveira Vermelha, encontra-se fora de controle. E Bucky Barnes, mais conhecido como Soldado Invernal, precisa se reconciliar com seu passado sórdido, a fim de encarar uma missão que mudará sua vida. Testemunhe a monumental releitura do mito do Capitão América nesta incrível adaptação trazida ao Brasil com exclusividade pela Novo Século.
Fonte: Skoob

Esse título quebrou meu coração. O Capitão América é um dos meus super-heróis favoritos e imaginar produções futuras sem Steve Rogers é triste, mas a história se desenvolve bem e, mesmo morto, é ele quem dá o tom e lidera a narrativa.

A narrativa começa algum tempo depois de Guerra Civil, quando os heróis passam a ser registrados e não podem mais agir por conta própria. Steve estava preso por não concordar com essa regulamentação e, ao ser julgado, acaba atacado e morto.

Mas o Capitão América é uma personalidade que é maior do que a pessoa. Ele representa a luta e a vitória e como pode uma nação seguir sem essa imagem para se inspirar? Além disso, os problemas continuam, tanto com os vilões como também entre os próprios heróis e com eles mesmos, essa coisa de conflitos internos.

Em uma narrativa acelerada, que mistura dois pontos de vista na mesma história, acompanhamos o fim e o recomeço da essência do Capitão América. Contar a história sem o apoio das ilustrações poderia tornar esse livro chato, mas Hama consegue dar um ritmo muito bom para a narrativa. Por contar duas histórias paralelas, que em um momento se encontram, o livro também poderia ficar confuso, mas tudo é feito de forma complementar – apesar de ter um foco diferente, ler intercalando faz todo o sentido do mundo.

Foi uma delícia explorar uma história que eu já gosto muito no cinema nos livros!

Ficha técnica:
Autor: Larry Hama
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 352
ISBN-10: 8542808002

 

Chick-lit, Romances

RESENHA: GAROTAS DE VESTIDO BRANCO, JENNIFER CLOSE

Garotas de vestido branco narra a vida de várias amigas em seus 20 e poucos anos. Poderia ser a história de basicamente qualquer jovem mulher (até homem, ouso dizer) e isso é, ao mesmo tempo, um dos pontos positivos e negativos do livro.

Isabella, Mary e Lauren sentem que todos os seus amigos estão se casando. Domingo após domingo, chá de panela após chá de panela, elas admiram presentes, recolhem fitas e papéis de embrulho e comem sanduíches e cupcakes enquanto usam vestidos em tons suaves e bebem champanhe. Mas, em meio a tanta comemoração, essas mulheres têm a própria vida para enfrentar. Com um senso de humor carregado, Jennifer Close nos faz reviver os tempos de emoção, desconcerto e “o que diabos estou fazendo com a minha vida?” do início da idade adulta. Passando por péssimos encontros familiares, viagens desastrosas e relacionamentos arruinados pela política ao mesmo tempo que outros começam em pet shops, Garotas de Vestido Branco nos leva para dentro de um círculo de amizade que, com perfeição, reúne alegrias e frustrações da vida moderna.
Fonte: Skoob

A narrativa começa com Isabella lembrando o casamento da irmã mais velha, que aconteceu alguns anos antes. A história então pula para o dia no qual decide se mudar para Nova York, e ai temos a primeira ideia de como será a narrativa. Jennifer Close opta por uma narrativa não linear, o que torna as coisas dinâmicas (super bem utilizado para uma história sobre pessoas comuns), mas também um pouco confusas (Quem ia casar mesmo? Mas esse filho nasceu ontem, com quantos anos ele está?).

O livro me surpreendeu por ir além da sinopse. A história não é sobre intermináveis chás de panela, mas sobre começar a vida adulta, arrumar um emprego, trocar de carreira, arrumar um namorado, talvez um noivo, um apartamento e também lidar com todas as crises dessa idade: meu emprego não paga o apartamento, o namorado é um idiota, minhas amigas estão com a vida resolvida e eu ainda sinto como se tivesse 14 anos.

Demorei um pouco para engatar na história, pois o estilo da narrativa deixa as coisas um tanto superficiais, especialmente para o leitor criar empatia com as personagens, mas depois que engata, a narrativa fica bem gostosa e dá pra rir das situações que as personagens passam e torcer para elas como se fizéssemos parte do grupo. Achei que a história terminou meio sem fim, mas como ela também começa sem um começo muito definido, estou bem com a decisão da autora.

É o típico livro que daria um bom filme de comédia romântica pra assistir (nesse caso, ler) despretensiosamente enquanto come pipoca e brigadeiro. O livro não é dos mais curtos, mas também não é dos mais longos. Os capítulos são focados em uma das personagens, tem um tamanho bom e são divididos em várias cenas diferentes, que vão contando diferentes situações para completar o total.

Ficha técnica
Autora: Jennifer Close
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2016
Páginas: 280
ISBN-10: 8528618188

Infanto-juvenil, Livros, Romances

Resenha: A probabilidade estatística do amor à primeira vista, Jennifer E. Smith

A probabilidade estatística do amor à primeira vista é o tipo de livro que eu comprei pela capa (a versão brasileira, que é muito mais fofa do que a original). Ela me enganou um pouco sobre a história, mas foi um livro super gostoso de ler.

Com uma certa atmosfera de Um dia, mas voltado para o público jovem adulto, A probabilidade estatística do amor à primeira vista é uma história romântica, capaz de conquistar fãs de todas as idades. Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.
Fonte: Skoob

O jeito como Hadley e Oliver se conhecem é típico de sonhos/filmes de comédia romântica. E é o que dá o tom à história toda. Eles se conhecem no aeroporto e acabam sentando ao lado um do outro no avião, pela ajuda de uma senhorinha que acha que eles são namorados e se oferece para trocar de lugar com um deles.

Hadley não está nada animada com a viagem para Londres, já que está indo para o casamento do pai, algo que ainda não faz sentido para ela. Oliver aparece e acaba tornando toda a viagem mais agradável, mesmo com Hadley preocupada com o horário, já que atrasou-se e vai chegar em cima da hora da cerimônia. Como o nome do livro indica, os dois se dão super bem logo de cara e com o passar do tempo, vemos que tornam-se amigos e aparece aquela incerteza de talvez tenha algo a mais.

Oliver, apesar de ser atencioso, não nos conta logo de cara o que acontece com ele – sabemos desde o começo o motivo da viagem de Hadley, mas a dele não. A narrativa então usa o encanto dela por ele e esse mistério para se desenvolver.

A leitura é super leve e você quer logo chegar ao fim do livro para conhecer o desfecho da história. Apesar de ser um romance, a autora nos coloca em situações relativamente inusitadas nesse tipo de narrativa. As duas personagens principais são bem construídas, com um passado que justifica suas ações – o tanto que é possível desenvolver personagens e justificar escolhas em um livro curto, de narrativa leve sobre amor adolescente.

Eu até demorei alguns dias para ler, mas acredito que quem pega esse livro em um fim de semana com bastante tempo livre consegue ler rapidinho, em um ou dois dias. A escrita da Jennifer é super gostosa e a gente nem vê as páginas passarem.

Ficha técnica
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Páginas: 224
ISBN-10: 8501095443

Biografia, Cinema, Geek, Livros, Star Wars

Resenha: Como Star Wars Conquistou o Universo, Chris Taylor

Em 2015 eu decidi que estudaria como foi feito o Marketing de Star Wars para a pós-graduação. Foi então que descobri esse livro, que é quase uma biografia do mundo criado por George Lucas. Se já admirava o trabalho feito antes, agora que li sou ainda mais fã desse criador e acabei completamente apaixonada pelo mundo que ele criou e pelo cuidado que os fãs têm com essa história.

Por várias gerações, Star Wars tem arrastado fãs de todas as idades aos cinemas, às lojas de brinquedos, às livrarias — praticamente a todo lugar que se vai, Star Wars está presente como uma entidade maior do que os filmes da saga. É indiscutivelmente o maior fenômeno da cultura pop, tão abrangente em todos os sentidos que mesmo aqueles que não assistiram ao filme conhecem a figura de Darth Vader e a maior revelação da história criada pelo cineasta George Lucas.
Em um trabalho jornalístico surpreendente, Chris Taylor revela segredos que até o fã mais radical desconhecia, derruba e confirma antigos mitos e rumores sobre sua produção, e dá voz a todo mundo que foi relevante na criação de Star Wars como um todo, de aliados a desafetos de George Lucas. Porém, apesar de falar sobre Star Wars, o livro vai muito além: fala sobre cinema em geral, administração, gerenciamento de marca e até determinação pessoal.
Fonte: Skoob

A não ser que você tenha evitado muito, possivelmente esbarrou em alguma coisa de Star Wars. Fã ou não, deve conhecer alguns dos personagens mais marcantes ou até mesmo a trilha sonora. Nos últimos anos, talvez viu brindes, linhas especiais para lojas ou mesmo um balde de pipoca. Tudo isso porque Star Wars já é parte da cultura global e também porque a série renasceu em dezembro de 2015, com o início de (mais) uma nova trilogia e spin-offs. Com a chegada do primeiro filme, Star Wars estava, literalmente, em todos os cantos – e, pelo visto, vai continuar até que terminem todos os seis filmes esperados nessa nova fase (sim, seis!). Mas isso não é nenhuma novidade para essa franquia.

Eu só fui assistir Star Wars depois de seis filmes lançados – bem depois, aliás. Meu conhecimento sobre esse universo era bem pequeno, então Chris Taylor me ajudou a me situar em todo o histórico dessa narrativa. Como foi que George Lucas criou essa história? Em que se inspirou? Star Wars foi sorte de principiante ou é genial? Tudo explodiu já com o primeiro filme?

A narrativa te envolve desde a história de George Lucas e como o que ele assistia quando era criança e adolescente o influenciou. Conhecemos quais trabalhos Lucas fez e onde queria chegar. Lemos sobre o lançamento do primeiro filme, quando vieram os livros, produções que não deram tão certo e como o mundo foi dominado por action figures e um milhão de produtos de saga. Passamos pelos lançamentos de todos os filmes, lendo sobre seus perrengues e sucessos. Tudo baseado em entrevistas e pesquisa histórica. Essa leitura é uma viagem no tempo e na cultura pop/geek.

Sobre a história de Star Wars mesmo esse livro não trata. Mas te instiga a querer saber mais, a ver na tela as cenas que conhecemos pelos bastidores. Mas o que mais teve destaque para mim foi ler sobre como os fãs receberam a história, como se apropriaram dela, como cuidam dela hoje e a mantém viva. Se crianças hoje brincam com sabres de luz, é porque existe uma geração de pais que mostrou os filmes para eles. Isso sempre foi visto pelos responsáveis por Star Wars pelo lado positivo, então esse relacionamento com os fãs sempre foi valorizado e respeitado.

No livro, lemos sobre um museu de objetos relacionados à saga que foi criado por um fã, sobre um exercito de storm troopers, sobre organizações que fazem réplicas dos droids dos filmes. Star Wars é muito mais que filmes e Chris Taylor nos conta em detalhes como isso aconteceu. Apesar de ser uma delícia ler tudo isso, é também cansativo. São mais de 600 páginas carregadas de conteúdo, então não é aquela leitura para relaxar no fim do dia. É um livro maravilhoso para quem já é fã de Star Wars e quer saber ainda mais, mas também ótimo para quem, mesmo não sendo fã, é curioso e quer entender de onde vem todo esse burburinho.

Ficha Técnica
Autor: Chris Taylor
Editora: Editora Aleph
Ano: 2015
Páginas: 616
ISBN-10: 8576572796

*As fotos utilizadas nesse post foram feitas na Star Wars Experience, no Madame Tussauds, em Londres, em agosto de 2017.

Blog, Livros

BOOKTAG – Fim do Ano

Hoje é dia de TAG! Vi essa no blog Cantinho da Siz e achei que era um bom post para dezembro. Minha vida pessoal finalmente está acalmando (alguns compromissos acabaram agora no fim do ano) e vou poder me dedicar mais ao blog e também à leituras.

1) Há algum livro que você começou este ano e que precisa terminar?

Sim! Esse ano o que mais fiz foi começar livros e largar. Em especial, temos o S, do J.J. Abrams e o A History of Magic – minhas compras favoritas do ano e que acabaram esquecidas num cantinho. Mas isso vai ser só ano que vem mesmo.

2) Você tem um livro para a transição, para o final do ano? 

Nessa época eu gosto de coisas bem light, então chick-lits são minha opção. Ainda não tive tempo de ver qual será minha próxima leitura.

3) Existe uma nova edição / lançamento que você ainda está esperando?

No momento não. O que mais esperei esse ano foram os livros comemorativos de Harry Potter, que saíram com a exposição em Londres, e esses já estão comigo.

4) Quais os três livros que você quer muito ler antes do fim do ano?

Três não vai dar tempo! haha Mas queria muito retomar minha releitura de Harry Potter, que seria com O Prisioneiro de Azkaban.

5) Existe um livro que você acha que ainda pode te surpreender e vir a ser o seu favorito do ano?

Sendo bem realista com o meu tempo disponível, não.

6) Você já começou a fazer planos de leitura para 2018?

Já sim. Esse ano li quase nada e quero reverter isso em 2018. Meu primeiro plano é reduzir a pilha de comprados e não lidos.

E vocês, já têm planos para o próximo ano?

Harry Potter, Livros, Roteiros Geek, Viagens

Vale a pena assistir Harry Potter e a Criança Amaldiçoada?

Há um ano, o livro com o roteiro da peça teatral Harry Potter e a Criança Amaldiçoada chegou em versão traduzida aqui no Brasil. Alguns meses antes, o roteiro em inglês já era vendido e a sessões estavam lotadas em Londres. Nesse tempo que passou, a peça ganhou uma versão na Broadway, em Nova York e já foi anunciado que ela deve ir para a Austrália – o que é maravilhoso por dar a oportunidade de mais pessoas assistirem, afinal, nem todos moram em Londres e o teatro é relativamente pequeno (o que justifica as sessões esgotadas e vendas absurdamente antecipadas).

Mas nem tudo são flores e, apesar da recepção ótima que teve no teatro, inclusive com prêmios, a resposta dos fãs que leram o roteiro publicado, inclusive a minha, da tal oitava história de Harry Potter não foi lá essas coisas. Com alguns spoilers, as principais críticas são ao enredo e ao desenvolvimento das personagens. É difícil acreditar que a Rowling permitiu a criação de uma história com base em vira-tempos – algo que ela tentou tirar da história durante a saga original – e deixou seus personagens terem futuros tão ruins – sim, ninguém quer acreditar que o Harry tenha se tornado esse pai péssimo, dentre outros problemas. Mas e a peça? Vale assistir? 

Ano passado quando escrevi a resenha para o livro, não imaginava que eu um dia assistiria a peça, mas nesse louco mundo consegui ingressos para a apresentação em agosto e separei aqui quatro motivos que fazem super valer a pena, se puder, estar lá e deixar esse não-gostei-da-história de lado.

HarryPotterCursedChild

É uma experiência única
Os ingressos não são baratos, nem fáceis de conseguir. Enquanto estive em Londres, mais de uma vez vi ingressos por 250 libras e que tinham a visão limitada, seja pelo local do assento ou por algo da estrutura do teatro. Ingressos com preços acessíveis são comercializados às sextas-feiras, mas são poucos e a procura é enorme. Então se aparecer uma oportunidade por um preço legal, vale sim. É uma experiência única. Mesmo que a peça esteja indo para outras cidades, o público nunca será o mesmo que teve acesso aos filmes e livros e não tem como saber por quanto tempo ela vai ficar em cartaz. A título de curiosidade, eu paguei 85 libras no ingresso para as duas partes.

É teatro
Esse é um novo formato, é uma nova proposta e é a apresentação da magia no teatro. É super legal ver como a iluminação, música, coreografias e cenários foram utilizados para dar vida à magia que imaginamos nos livros e vemos nos efeitos visuais do filme. É muito legal também ver outros atores interpretando personagens que já conhecemos, mas de uma maneira completamente nova.

Saber o que acontece

Existe toda uma campanha para mantermos os segredos e não estragarmos a experiência de quem ainda pode assistir. A equipe do teatro é bem atenta a quem possa estar tentando filmar ou fotografar, então o único jeito que você tem para saber o que acontece é assistindo. E é o jeito certo. Não acho que eu contar o que aconteça vai fazer alguém desistir de ir até lá ou estragar 100% a experiência, mas é super legal ver a preocupação em manter a surpresa e é maravilhoso ser surpreendido pelo que está acontecendo, mesmo que a gente já conheça a história.

Entender o propósito
Só depois de sair do teatro, completamente apaixonada pelo Scorpius Malfoy aliás, é que entendi para que essa peça foi feita. Não é a oitava história. Para melhorar, só não deveria ser considerada oficial na linha do tempo. Do mesmo modo que criaram os parques temáticos e transformaram os estúdios em museu, Harry Potter foi parar nos teatros por ser muito maior que a história dos sete livros – ou mesmo dos cinco filmes de Animais Fantásticos. E é um universo tão incrível que merece histórias sendo contadas de todos os jeitos. O que a gente tem aqui é um enredo esquisito, mas que nos traz de volta personagens e eventos que amamos ler sobre em um formato que atrai fãs e curiosos. Foi ali que vi como a peça está mantendo a história viva, encantando novamente e conquistando um público inteiramente novo.

Mas tá, eu gostei de tudo?

A história, logicamente, não mudou do que lemos. É diferente quando estamos assistindo, mas continuo achando o Harry medonho, a Rose uma chata e ridícula a ideia de o Voldemort ter filhos. São fatores que eu relevei quando estava lá e acredito que não sou a única.

O ponto negativo da peça em si é mesmo a duração. São mais de CINCO HORAS dentro do teatro. A parte um tem mais de 2h30 e a parte dois chega perto disso, contando o tempo para chegar, sentar e sair, você se sente um prisioneiro do lugar. É um tempo longo e não tem como não cansar. Eles vendem duas opções: assistir em dois dias ou em um só. Consegui ingressos para um só e gastei todo o meu domingo dentro do teatro – e deu pra sair cansada como se tivesse feito várias coisas durante o dia. Se pudesse ser menor, seria um brinde!

Livros, Seriados

RESENHA – DOCTOR WHO: 12 DOUTORES, 12 HISTÓRIAS

Minha história com esse livro é bem engraçada. Por um descuido, acabei com duas assinaturas em sites de audiolivros e fiquei com créditos para pegar alguns títulos. Em meio a tantos, resolvi escolher este, sem ser fã do universo Who, por pura curiosidade. Ele acabou um tempo largado, mas quando resolvi ouvir, gostei bastante do conteúdo e acabei me tornando fã também da série.

Não é qualquer universo que pode receber 12 visitantes tão ilustres e acolher 12 interpretações tão radicalmente diferentes do mesmo herói.
Doctor Who, o fenômeno cultural britânico que conquistou o mundo, a série de ficção científica mais antiga da televisão, conta as aventuras do Doutor, um alienígena de aparência humana que trafega livremente pelo tempo e o espaço. Fascinado pelo planeta Terra e a humanidade, o Doutor está sempre acompanhado de um terráqueo enquanto viaja na sua nave, a TARDIS, por todos os cantos do universo e da história.
Para celebrar os 50 anos da série, completados em 2013, 12 dos maiores nomes da literatura fantástica da atualidade entre eles Eoin Colfer, Marcus Sedgwick, Philip Reeve, Richelle Mead, Neil Gaiman e Holly Black homenageiam o personagem com histórias inéditas na aguardada coletânea Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias.
Em 51 anos de TV, o Doutor foi interpretado por 12 atores diferentes, cada um deles uma encarnação diferente do personagem, com personalidades e trejeitos diferentes. As muitas faces do Doutor e suas jornadas10 infinitas ofereceram aos criadores da série a liberdade de explorar não só as galáxias e profundezas do tempo, mas também temas que vão do lírico ao terror, numa verdadeira investigação do coração e da mente do ser humano.
É essa mesma liberdade de imaginação que agora vemos nas mãos de 12 dos autores de ficção mais queridos da atualidade, que foram conquistados pelas peripécias do Doutor, alguns desde que eram crianças, e que agora compartilham com os fãs dele e seus próprios leitores 12 visões muito particulares do personagem mais cativante deste lado da galáxia.
Lançada pela BBC britânica em 1963 e exibida em mais de 60 países, a série Doctor Who segue arrebatando novos fãs a cada dia e inspirando autores de fantasia e ficção científica de todo o mundo. As histórias reunidas na coletânea Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias também estão disponíveis individualmente em e-book.
Fonte: Skoob

Para quem assiste ao seriado, esse livro é como se fosse uma extensão. As histórias são contadas em formatos de contos e parecem um novo episódio para cada regeneração do Doctor. Assim como a série, são histórias aleatórias, com diferentes companions e nos levam para diferentes situações e diferentes planetas.

Em termos de história, não tenho muito o que comentar. Como citei, é uma expansão da série então serve para quem já acompanha e quer ver mais sobre em um formato diferente ou para quem ainda não conhece, mas quer saber do que se trata. Esse segundo público, na verdade, é quem consegue tirar mais desse livro, já que em 480 páginas pode conhecer os mais de 50 anos desse seriado.

Tratando-se de uma edição comemorativa, acho que acertaram a mão: reunir diferentes autores e histórias que celebram a diversidade, criatividade e longevidade dessa história. Vale a pena para quem gosta de ficção científica e também para quem gosta de contos e leituras rápidas.

Ficha técnica:
Livro: Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias
Ano: 2014
Páginas: 480
ISBN-10: 8568263046
Editora: Rocco

Distopia, Livros

RESENHA: O CÍRCULO, DAVE EGGERS

Finalmente, a primeira resenha do ano. E é também o primeiro livro do ano. Péssimo, eu sei, mas é que eu viciei em duas séries (e em assistir entrevistas sobre essas séries), estou tentando assistir todos os filmes indicados ao Oscar e passei alguns dias cuidando do meu afilhado. Ufa. Mas agora foi. E foi bem: O círculo é uma distopia que eu estou ansiosa para ver nas telonas e, quanto ao livro… fazia tempo que algo me prendia dessa forma.

Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: O Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade on-line única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência.
Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura arrojada quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamurosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante. O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano. Fonte: Skoob

O mundo criado por Dave Eggers é incrível por algo bem simples: é completamente real. É fácil imaginar que nosso vício por compartilhar em mídias sociais ultrapasse os limites do que é aceitável. No Círculo, o que eles buscam é a transparência total. Para isso, todos são incentivados a compartilhar o máximo de informações possível, até com pessoas fazendo transmissões ao vivo de, basicamente, todos os momentos em que estão acordados. Além do que escolhem compartilhar, alguns dos produtos monitoram 24h saúde, localização ou ranking escolar. Existe até projeto para organizar nossos sonhos, para transformá-los em algo útil e que nos ajude quando acordados.

“Segredos são mentiras”

A paranóia chega em um nível inacreditável e acompanhar a jornada da Mae, Kalden e Annie foi o que eu achei mais legal. Annie e Kalden já faziam parte do círculo antes da Mae e suas narrativas são opostas. Enquanto a Mae começa sem muito jeito de compartilhar as coisas e vai se tornando cada vez mais adepta das loucuras do Círculo, Annie e Kalden a começam a perceber que o futuro vai ser insuportável.

“Compartilhar é se importar”

O Círculo não é uma distopia que apresenta um universo novo, mas nos coloca para pensar sobre a loucura que pode virar a nossa vida. Já compartilhamos demais e empresas de tecnologia já estão anunciando soluções voltadas para a medicina. Mídias sociais já nos apresentam feeds selecionados e cada vez mais a internet está integrada. É assustador e parece um caminho sem volta. Dessa leitura, vi que o que mais precisamos é nos manter humanos e tentar, de todo jeito, não perder a noção do que é aceitável.

“Privacidade é roubo”

A narrativa é tranquila, apesar de cansativa em alguns momentos em que foca na apresentação dos produtos do círculo, mas vai te prendendo na loucura que é a rotina da Mae. Achei que o autor podia ter explorado mais outros personagens e tomado algumas decisões de outras maneiras. Durante todo o livro, não fazia ideia de onde o autor queria chegar e o desenvolvimento do fim não me agradou, mas não estragou minha experiência.

Acho que as reflexões que surgem a partir do livro são mais válidas que detalhes técnicos nesse caso. Nossa dependência da tecnologia, nossa sede por saber cada vez mais… Indico a leitura e indico o filme, que estreia nos Estados Unidos em abril, com Emma Watson como Mae, John Boyega como Kalden, Tom Hanks como Bailey e Karen Gillan como Annie.

Ficha técnica
Autor:
Dave Eggers
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Páginas: 522
ISBN-10: 8535924787