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Meu chefe é o Mickey

Oito anos atrás eu embarquei, nas palavras da minha avó, em uma loucura. Pra mim foi só uma aventura mesmo. Estava no primeiro ano da faculdade e participei do processo seletivo para o International College Program da Disney e lá fui eu, no meu primeiro emprego, trabalhar para o Mickey (carinhosamente falando) durante minhas férias de verão.

Honestamente, não parece que faz esse tempo todo porque ainda lembro de muitas coisas em detalhes: a ansiedade lendo conteúdo sobre as entrevistas, sobre as locações de trabalho, sobre as casas e como foi tudo lá mesmo. Trabalhar na Disney foi uma experiência única, once in a lifetime, e, se o tempo provou algo, é que isso me marcou de uma maneira gigantesca.

De dezembro de 2009 a Fevereiro de 2010, trabalhei como Attractions/Operations no Magic Kingdom – ou seja, o Castelo da Cinderela era basicamente meu quintal. Lá, trabalhei na Fantasyland em três atrações: Snow White Scary Adventures, The Many Adventures of Winnie the Pooh e na Mad Tea Party – isso foi no período pré-expansão da Fantasyland, essas atrações já passaram por reformas e a da Branca de Neve já não existe mais, sinais que a minha Disney vive mesmo na minha memória. Além dos brinquedos, em alguns dias trabalhava com controle de pessoas durante os shows de fogos.

Trabalhar com as atrações significa mão na massa: controle de painéis que fazem os brinquedos funcionar, contagem de pessoas, controle das filas, verificar se os brinquedos estão funcionando, limpar a fila, dar informações sobre a área e, nos momentos de descontração, até soprar bolhas de sabão – a Fantasyland é onde estão concentrados a maioria dos brinquedos para crianças pequenas, então era parte do nosso trabalho deixar tudo ainda mais mágico.

Mas o trabalho em si não foi o que mais me marcou – apesar de ser legal dizer que eu sei como funciona uma montanha russa. A Disney é exemplo de várias coisas no mundo corporativo e uma delas é o atendimento ao cliente, que, descobri lá, só funciona porque é uma preocupação que eles tem com todos que trabalham lá, até quem vai para um trabalho temporário de dois meses e meio – foram vários dias de treinamento, antes de começar a trabalhar e também depois.

Lá, percebi como eles unem demanda e oferta de um jeito incrível – eu, no Brasil, queria uma experiência internacional para aprimorar o inglês; eles precisam de pessoas que falem idiomas para atender os visitantes. Vivi a cultura empresarial em um outro país e pude aproveitar os outros benefícios de um intercâmbio – conhecer pessoas de diversos países (morei com chinesas, australianas, americanas e brasileiros e trabalhei com pessoas de, pelo menos, dez nacionalidades), melhorei, e muito, o inglês e criei minha independência.

Além de tudo isso, teve também a experiência com os visitantes do parque. É incrível a variedade de pessoas que escolhe a Disney como roteiro de viagem e a gente acaba conhecendo vários deles. Pessoas de todas as idades, crenças, em diferentes momentos da vida – gente que vai lá relaxar, comemorar e até, infelizmente, quem vai para esquecer uma doença ou momentos ruins. São histórias que cruzam com você a todo momento e é difícil que não te coloquem para ver o mundo com outros olhos.

Claro, nem tudo foram flores. Tive dias difíceis, dias com trabalho até de madrugada, dias com mais de doze horas trabalhadas, regras de roupas, maquiagem e corte de cabelo, ônibus lotado para voltar do trabalho, etc. Mas o bom sempre compensou o ruim e aprendi muito com eles: a me respeitar, a respeitar os outros e até comecei a gostar mais de crianças. Passei a admirar a Disney mais pelo o que ela representa hoje na indústria no entretenimento do que pelos seus produtos e é daí que vem meu amor por produções voltadas ao público infantil.

A experiência é algo que não tem como explicar em um post de blog, mas é algo que eu sempre gosto de comentar, mesmo que um textão desses não fale muita coisa. O International College Program ainda está disponível e você também pode viver essa experiência. As regras certinhas estão no site da STB, agência que coordena o processo aqui no Brasil – não tô ganhando nada pra falar disso, apenas divulgando mesmo porque foi incrível e ouvi uns boatos que o Trump quer complicar visto pra esse tipo de trabalho. Além do ICP, a Disney também contrata brasileiros que já  tenham participado do ICP, para trabalhar lá durante as férias de verão deles, período que os parques recebem inúmeros grupos daqui. Ah, e se você acha que precisa ter muito dinheiro pra ir pra lá, é justamente o contrário. Esse é um daqueles programas Work and Travel então você não precisa pagar horrores para ir e ainda ganha um salário, que te mantém lá de boas.

Trabalhar na Disney pode até parecer uma ideia impossível – pra mim já foi – mas a verdade é que ela pode se tornar realidade sim.