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Cass

Harry Potter, Livros, Roteiros Geek, Viagens

Vale a pena assistir Harry Potter e a Criança Amaldiçoada?

Há um ano, o livro com o roteiro da peça teatral Harry Potter e a Criança Amaldiçoada chegou em versão traduzida aqui no Brasil. Alguns meses antes, o roteiro em inglês já era vendido e a sessões estavam lotadas em Londres. Nesse tempo que passou, a peça ganhou uma versão na Broadway, em Nova York e já foi anunciado que ela deve ir para a Austrália – o que é maravilhoso por dar a oportunidade de mais pessoas assistirem, afinal, nem todos moram em Londres e o teatro é relativamente pequeno (o que justifica as sessões esgotadas e vendas absurdamente antecipadas).

Mas nem tudo são flores e, apesar da recepção ótima que teve no teatro, inclusive com prêmios, a resposta dos fãs que leram o roteiro publicado, inclusive a minha, da tal oitava história de Harry Potter não foi lá essas coisas. Com alguns spoilers, as principais críticas são ao enredo e ao desenvolvimento das personagens. É difícil acreditar que a Rowling permitiu a criação de uma história com base em vira-tempos – algo que ela tentou tirar da história durante a saga original – e deixou seus personagens terem futuros tão ruins – sim, ninguém quer acreditar que o Harry tenha se tornado esse pai péssimo, dentre outros problemas. Mas e a peça? Vale assistir? 

Ano passado quando escrevi a resenha para o livro, não imaginava que eu um dia assistiria a peça, mas nesse louco mundo consegui ingressos para a apresentação em agosto e separei aqui quatro motivos que fazem super valer a pena, se puder, estar lá e deixar esse não-gostei-da-história de lado.

HarryPotterCursedChild

É uma experiência única
Os ingressos não são baratos, nem fáceis de conseguir. Enquanto estive em Londres, mais de uma vez vi ingressos por 250 libras e que tinham a visão limitada, seja pelo local do assento ou por algo da estrutura do teatro. Ingressos com preços acessíveis são comercializados às sextas-feiras, mas são poucos e a procura é enorme. Então se aparecer uma oportunidade por um preço legal, vale sim. É uma experiência única. Mesmo que a peça esteja indo para outras cidades, o público nunca será o mesmo que teve acesso aos filmes e livros e não tem como saber por quanto tempo ela vai ficar em cartaz. A título de curiosidade, eu paguei 85 libras no ingresso para as duas partes.

É teatro
Esse é um novo formato, é uma nova proposta e é a apresentação da magia no teatro. É super legal ver como a iluminação, música, coreografias e cenários foram utilizados para dar vida à magia que imaginamos nos livros e vemos nos efeitos visuais do filme. É muito legal também ver outros atores interpretando personagens que já conhecemos, mas de uma maneira completamente nova.

Saber o que acontece

Existe toda uma campanha para mantermos os segredos e não estragarmos a experiência de quem ainda pode assistir. A equipe do teatro é bem atenta a quem possa estar tentando filmar ou fotografar, então o único jeito que você tem para saber o que acontece é assistindo. E é o jeito certo. Não acho que eu contar o que aconteça vai fazer alguém desistir de ir até lá ou estragar 100% a experiência, mas é super legal ver a preocupação em manter a surpresa e é maravilhoso ser surpreendido pelo que está acontecendo, mesmo que a gente já conheça a história.

Entender o propósito
Só depois de sair do teatro, completamente apaixonada pelo Scorpius Malfoy aliás, é que entendi para que essa peça foi feita. Não é a oitava história. Para melhorar, só não deveria ser considerada oficial na linha do tempo. Do mesmo modo que criaram os parques temáticos e transformaram os estúdios em museu, Harry Potter foi parar nos teatros por ser muito maior que a história dos sete livros – ou mesmo dos cinco filmes de Animais Fantásticos. E é um universo tão incrível que merece histórias sendo contadas de todos os jeitos. O que a gente tem aqui é um enredo esquisito, mas que nos traz de volta personagens e eventos que amamos ler sobre em um formato que atrai fãs e curiosos. Foi ali que vi como a peça está mantendo a história viva, encantando novamente e conquistando um público inteiramente novo.

Mas tá, eu gostei de tudo?

A história, logicamente, não mudou do que lemos. É diferente quando estamos assistindo, mas continuo achando o Harry medonho, a Rose uma chata e ridícula a ideia de o Voldemort ter filhos. São fatores que eu relevei quando estava lá e acredito que não sou a única.

O ponto negativo da peça em si é mesmo a duração. São mais de CINCO HORAS dentro do teatro. A parte um tem mais de 2h30 e a parte dois chega perto disso, contando o tempo para chegar, sentar e sair, você se sente um prisioneiro do lugar. É um tempo longo e não tem como não cansar. Eles vendem duas opções: assistir em dois dias ou em um só. Consegui ingressos para um só e gastei todo o meu domingo dentro do teatro – e deu pra sair cansada como se tivesse feito várias coisas durante o dia. Se pudesse ser menor, seria um brinde!

Música, Shows

John Mayer em Curitiba

O dia ainda estava claro quando, poucos minutos depois do horário marcado, a música do DJ parou e o telão anunciou o começo da apresentação de John Mayer e banda, pela turnê The Search for Everything. Com Moving On and Getting Better, John deu início a uma demonstração não apenas de seus hits, mas do talento como músico e de como entra em um mundo particular enquanto está no palco, fazendo caras e bocas enquanto toca inúmeros solos de guitarra e violão.

O show, dividido em quatro capítulos, teve início com toda a banda e com as músicas do seu último álbum, também chamado The Search For Everything, Changing e Helpless. A exceção dessa parte foi Why Georgia, um de seus primeiros sucessos.

Para o segundo capítulo, uma apresentação acústica e solo – a não ser por um momento, quando um percussionista acompanhou a melodia. Aqui pudemos voltar um pouco no tempo com Dreaming With a Broken Heart e Neon. Com Daughters, sucesso absoluto, ficou a missão de colocar todo o público da Pedreira Paulo Leminski para cantar junto.

O Capítulo três teve uma introdução em vídeo, explicando a origem desse formato. Aqui vimos o John Mayer Trio, uma banda focada em blues e formada por John, pelo baterista Steve Jordan e o baixista Pino Palladino. Como esperado, as músicas com mais foco nesse ritmo apareceram: Vultures e Who Did You Think I Was.

Para encerrar, o quarto capítulo: um reprise do primeiro com toda a banda de volta ao palco. Mais sucessos dominaram a apresentação, como Queen of California, Waiting on the World to Change e Slow Dancing on a Burning Room. Também veio o pedido em massa por Stop This Train, atendido com direito a piada e acordo: a banda tocaria, se antes eles pudessem cantar as outras músicas que não eram Stop This Train e que estavam se sentindo menosprezadas por isso.

Durante Dear Marie, as luzes do palco apagaram e o público respondeu acendendo as lanternas dos celulares. Ao fim da música John saiu do palco e deixou todos na expectativa. Foi um momento “à luz de velas” aparentemente não planejado: aconteceu uma queda na iluminação mesmo. No encore, Stop This Train veio e teve seu começo iluminado apenas por telas brancas improvisadas nos telões laterais e do fundo do palco. Mas para o fim, tudo já estava normal, para a felicidade de quem estava longe do palco. O encerramento ficou por conta de Gravity, hit bem conhecido dos fãs.

Foram 18 músicas e duas horas de show, mas ainda assim sucessos acabaram de fora. Tanto as mais novas Love On The Weekend e You’re Gonna Live Forever in Me, quanto as mais antigas, como Your Body is a Wonderland. Acabou que o set-list foi diferente dos outros dois shows da turnê que já aconteceram no Brasil, o que é quase uma marca de John Mayer – tentar adivinhar o set-list tendo como base apresentações passadas é quase um pesadelo.

Durante todo o show, John abusou do talento na guitarra. Solos e mais solos encantaram os fãs Curitibanos. John não interage muito, mas é visível que ele está 100% no palco, completamente dedicado às músicas e nos dá um pedacinho desse seu universo em cada apresentação.

O set-list completo:

Chapter 1: Full Band
Moving On and Getting Over
Why Georgia
Helpless
Changing
In the Blood

Chapter 2: Acoustic
Dreaming With A Broken Heart
Daughters
Neon

Chapter 3: Trio
Cross Road Blues
Vultures
Who Did You Think I Was

Chapter 4: Full Band (Reprise)
Queen of California
Something Like Olivia
Slow Dancing In A Burning Room
Waiting On The World To Change
Dear Marie

Encore:
Stop This Train
Gravity

Música, Shows

Paul McCartney em Porto Alegre

E como um show nunca é só um show

Assistir a um show do Paul McCartney é uma experiência completa: música, luzes, diversos instrumentos, produção audiovisual e pirotecnia. Aos 75 anos, além de ter uma energia absurda, o espetáculo que traz não fica atrás de nenhum grande nome da música que seja mais jovem. O show que aconteceu sexta-feira (13/10) em Porto Alegre foi o primeiro no Brasil da turnê One on One, que começou em abril de 2016.

Um novo set-list recheado de sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo entreteve o público durante as quase três horas de apresentação, que começou poucos minutos depois das 21h. Como aconteceu em outras passagens dele pelo Brasil (e imagino que deva ser assim sempre), mais ou menos meia hora antes de começar o show em si, um vídeo com fotos e vídeos de toda a história dele começa e a gente nem percebe os últimos minutos de espera pro show. Dessa vez, vimos a vida de Paul e sua carreia artística, acompanhando os anos passarem pelos fatos históricos representados, como a coroação da Rainha Elizabeth e a chegada do homem à lua.

Apesar de ter algumas músicas quase fixas no set-list, pude ouvir outras 14 diferentes do último show que fui em São Paulo. Para começar, A Hard Days Night, música que, pelo que li, não era tocada ao vivo por um Beatle desde 1965. A partir daí fomos intercalando sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo, como Can’t Buy Me Love e Jet.

Em um palco improvisado no meio do verdadeiro palco, a banda ficou mais próxima em uma representação de uma viagem ao passado. Com a projeção de uma casa no telão, ouvimos alguns dos primeiros sucessos dos Beatles, inclusive a primeira música gravada pelos Fab Four, In Spite of All The Danger.

As tradicionais homenagens não ficaram de fora. Maybe I’m Amazed para Linda, My Valentine para Nancy, Here Today para John e Something para George. Dessa vez também houve mais uma: Love Me Do para George Martin, produtor dos Beatles. Outra coisa que não mudou foi a reação do público em Ob-la-di Ob-la-da, de uma felicidade imensa, e as músicas que encerram a primeira parte do show – Let it Be, Live and Let Die e Hey Jude, que sempre transforma o show em um grande coral.

Para Live and Let Die, um renovado conjunto de fogo e fogos de artifício levaram o público ao delírio – e também deram alguns sustos.

Na volta, ao palco, as conhecidas bandeiras do Brasil e do Reino Unido vieram acompanhadas da do movimento LGBT. No repertório, momento para os últimos acordes: Yesterday, que foi seguida por Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) – e fez meu show valer – meninas no palco dançando Birthday e o tradicional fim com Golden Slumbers, Carry the Weight e The End.

Foram 39 músicas, 25 sucessos dos Beatles (e ainda ouvi quando acabou que ele deveria cantar mais Beatles, pasmem!). Apesar da maioria já ter anos de história, o álbum New também fez parte do setlist, além de FourFiveSeconds, gravada com Rihanna e Kanye West.

Mas que o show do Paul McCartney é incrível você provavelmente já ouviu antes.

O que pouca gente comenta é como a experiência de ir nesse show é diferente das outras. Dessa vez fomos de avião e, ao chegar ao aeroporto, começamos a encontrar as camisetas do Paul e dos Beatles. Ao chegar em Porto Alegre, notícias sobre Paul no jornal do almoço, um shopping próximo ao estádio estava com uma exposição contando a história dos Beatles, com alguns objetos, como discos, ingressos e autógrafos expostos.

Além disso, o público é absurdamente diverso. De crianças a idosos. Gente fã de Beatles, de Wings, do Paul. Fã das músicas mais românticas, dos solos de guitarra, das animadas ou da pirotecnia de Live and Let Die.

Da primeira vez que vi Paul McCartney, conhecia pouco do seu trabalho pós-Beatles e fui mais pela experiência de ver um deles ao vivo. Da segunda vez, fui para levar minha mãe – que também é fã, mas não pode ir comigo no primeiro – e o que mais vi foi esse desejo de viver a Beatlemania nos anos 2010. Dessa vez, vi Paul por Paul.

São anos de história que ele mesmo faz questão de homenagear, sempre lembrando os Beatles como grupo. São anos de história que ele aceita que precisa trazer para um show porque, se optar por ignorar, vai gerar uma grande decepção. Mas não tem como negar que ele também é um músico que segue se renovando, com várias fases. É um artista que transmite muito no palco. Que fica mais jovem a cada música. Que interage, sorri, puxa o público para participar. É uma apresentação que é tão gostosa que, mesmo durando tanto, a gente mal vê passar.

O set-list completo:

  • A Hard Day’s Night
  • Junior’s Farm
  • Can’t Buy Me Love
  • Jet
  • Got to Get You Into My Life
  • Let Me Roll It
  • I’ve Got a Feeling
  • My Valentine
  • Nineteen Hundred and Eighty-Five
  • Maybe I’m Amazed
  • We Can Work It Out
  • In Spite of All the Danger
  • You Won’t See Me
  • Love Me Do
  • And I Love Her
  • Blackbird
  • Here Today
  • Queenie Eye
  • New
  • Lady Madonna
  • FourFiveSeconds
  • Eleanor Rigby
  • I Wanna Be Your Man
  • Being for the Benefit of Mr. Kite!
  • Something
  • A Day in the Life
  • Ob-La-Di, Ob-La-Da
  • Band on the Run
  • Back in the U.S.S.R.
  • Let It Be
  • Live and Let Die
  • Hey Jude

Encore:

  • Yesterday
  • Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
  • Helter Skelter
  • Birthday
  • Golden Slumbers
  • Carry That Weight
  • The End
Música, Shows

Maroon 5 em Curitiba

If happy ever after did exist, I would still be holding you like this, ou mais ou menos isso, é a sensação que ficou depois do show do Maroon 5 em Curitiba na última quinta-feira, dia 14 de setembro. Depois de algumas horas de discotecagem da DJ responsável pela abertura (situação que ficou meio chata pois pouca gente realmente prestou atenção) a entrada da banda foi bem pontual, o que tranquilizou vários dos fãs que se lembram de ter esperado em pé por mais de três horas no show que aconteceu em 2012.

Apesar do áudio do microfone estar meio baixo, Adam Levine dominou o palco e animou quem estava presente. A primeira música, Moves Like Jagger, teve uma abertura diferentona – a banda curte dar uma boa risada e colocaram uma montagem de músicas assobiadas para aumentar a ansiedade de quem esperava, só pode.

No setlist, hits mais atuais como Animals e Sugar, mas sem deixar de lado os primeiros sucessos como This Love e She Will Be Loved, do primeiro álbum. She Will Be Loved, aliás, virou uma das minhas melhores memórias de shows, pois o eco do público cantando, acompanhados apenas da voz de Adam e violão de James Valentine tornaram o momento incrível. Além disso, eles perceberam que um casal que estava na grade tinha acabado de noivar e dedicaram a música aos dois, com direito a conselho amoroso: “Happy wife, happy life”. Outro momento lindo foi quando, à capela, cinco dos integrantes se abraçaram e cantaram os primeiros acordes de Payphone.

Senti falta dos últimos lançamentos no setlist e de um pouco mais de interação com o público – o show é super acelerado, um hit atrás do outro e acaba pouco espaço para um contato mais pessoal entre banda e fãs. A última música foi um cover e não sei até que ponto foi uma boa ideia já que deu pra perceber que nem todos conheciam o que eles estavam tocando e o fim do show é aquele último momento para tornar a apresentação inesquecível. A acústica também poderia ser melhor – detesto ir em show e não precisar gritar para conversar com quem está do meu lado. Fiquei bem pertinho do palco e foi o que aconteceu praticamente o show todo, só arrumaram nas últimas músicas.

Tirando isso, é um show que vale muito a pena e que vou lembrar pra sempre. Os agudos do Levine são de outro mundo, é muito legal perceber como a banda investe em mais de um estilo de música e acabam com um repertório bem variado e gostoso de acompanhar. Adam tem uma presença de palco gigante, dança o tempo todo e não esquece de pisar em nenhum centímetro do espaço que tem disponível.

Depois do show ainda acompanhei pela tv as duas outras apresentações do Maroon 5 aqui no Brasil no Rock In Rio (fã louca) e posso dizer que, apesar de pequenas mudanças, a passagem da banda por aqui foi bem consistente e entregou o que prometeu: diversão para quem mais importa, seus fãs.

Setlist:

  1. Moves Like Jagger
  2. This Love
  3. Harder to Breathe
  4. Locked Away (Rock City cover)
  5. One More Night
  6. Misery
  7. Love Somebody
  8. Animals
  9. Maps
  10. Lucky Strike
  11. Let’s Dance (David Bowie cover)
  12. Sunday Morning
  13. Makes Me Wonder
  14. Payphone
  15. Daylight
    Encore:
  16. She Will Be Loved
  17. Don’t Wanna Know
  18. Sugar
  19. Let’s Go Crazy (Prince cover)
Roteiros Geek, Seriados, Viagens

Multiverso Pop em Cardiff: Doctor Who Experience

É fã de Doctor Who? Então vem que esse post é para você.

Agora em agosto pude ir para Cardiff visitar a Doctor Who Experience. Que é, na verdade, o Museu Gallifrey. Localizado em Cardiff, País de Gales, você vive uma aventura com direito a ajudar o Doctor, entrar na Tardis, ver Weeping Angels e solucionar um problema. São aproximadamente 20 minutos nessa brincadeira que me surpreendeu demais. Nunca achei que fosse ajudar a controlar o painel da Tardis e confesso que achava que seria algo bobinho, mas foi super divertido. Deu pra rir, deu pra ficar de coração partido pela composição do cenário e deu até pra dar um medo dos vilões. Além disso, andamos por locais que foram utilizadas nas gravações do seriado. Quer mais para se sentir dentro do universo?

Acabada a experiência, vamos para uma área de museu que é incrível. Nele, temos remontadas vários interiores e exteriores de Tardis e também e temos muitos figurinos e props utilizados nas filmagens. Dá pra ver sonic screwdriver, dá pra ver monstros e dá pra ver vários Daleks. Não apenas para Whovians, essa visita também vale pra quem admira produções audiovisuais porque ela te coloca dentro de uma das mais antigas que temos e que está rodando ainda hoje. Dá pra entender um pouco do que faz Doctor Who algo que tem durado, e com força, por anos. O legal desse tipo de lugar é ver que o público varia muito em idade. De crianças a idosos e todos compartilhando esse gosto em comum.

Além do museu, você pode fazer um walking tour pelas locações utilizadas nas filmagens – o que já ajuda a conhecer a cidade em si e também ver locais utilizados em outros seriados, como Torchwood e Sherlock. Guiada por alguém que trabalha na experience, ficamos sabendo do local, para que foi utilizado e também algumas das modificações feitas no espaço para a série. É um passeio cheio de curiosidades, que te leva ainda mais para o mundo dessa produção e que me deixou bem encantada.

Essa visita foi muito especial pra mim porque a última vez que eu tinha chorado assistindo algum filme/seriado tinha sido com Toy Story 3. Não chorei com o fim de Harry Potter, a história que mais me acompanhou na vida. Mas então veio Doctor Who, mas precisamente, o 11th Doctor e seus companions Amy e Rory Pond. Que apego criei com essas personagens. Fica até difícil explicar em lógica, mas chorei feito um bebê quando Amy e Rory se despedem em Nova York e chorei um pouco mais quando o Doctor passa pela regeneração. Depois disso, me apeguei ao universo Who e, quando planejei minha viagem para o Reino Unido, inclui um dia em Cardiff para visitar a Doctor Who Experience, uma atração/museu sobre o seriado.

Depois de alguns meses torcendo para dar certo – descobri no começo do ano que a experience em Cardiff ia fechar – consegui meu ingresso para um dos últimos fins de semana de funcionamento. Estive lá dia 13/08 e este sábado, dia 09/09, será o último dia aberto. É triste pensar que depois desse fim de semana esse lugar não vai mais existir e ainda não temos informações de um novo local ou uma nova cidade. Espero muito que esse espaço seja reconstruído e que possa continuar recebendo fãs em Gallifrey porque foi incrível.

 

Blog

Sobre recomeços

Você já perdeu um blog antes? O Sobre Livros e Outras Coisas estava em hiatus, mas, voltando de uma viagem super legal, queria retomar as publicações. Por engano, deletei a base de dados principal. Adeus, blog.

Aproveitei a oportunidade para recomeçar. Um novo nome, mais abrangente, e agora trilho esse caminho sozinha, pelo menos por enquanto. Consegui resgatar alguns textos com o arquivo cache do Google (obrigada!) só para não começar num enorme vazio. Alguns, tenho pela metade e quero tentar completar (resenhas que amei fazer como O Projeto Rosie e Como Star Wars Conquistou o Universo).

Mas agora estamos aqui. Não sei viver sem ter um lugar para escrever e essa é a principal função do Multiverso Pop, ser um espaço para eu compartilhar um pouco sobre livros, seriados, cultura geek e, em especial, minhas duas marcas preferidas: Disney e Harry Potter.

O nome veio da união de Multiverso, termo utilizado para definir um grupo hipotético de todos os universos possíveis e Pop, de cultura (ou entretenimento) pop. A ideia é não ter um foco definido, mas misturar histórias por aqui. Para simplificar, podemos dizer que o blog é multipotencial, assim como eu.

Bem vindo à blogosfera, Multiverso.

Livros, Seriados

RESENHA – DOCTOR WHO: 12 DOUTORES, 12 HISTÓRIAS

Minha história com esse livro é bem engraçada. Por um descuido, acabei com duas assinaturas em sites de audiolivros e fiquei com créditos para pegar alguns títulos. Em meio a tantos, resolvi escolher este, sem ser fã do universo Who, por pura curiosidade. Ele acabou um tempo largado, mas quando resolvi ouvir, gostei bastante do conteúdo e acabei me tornando fã também da série.

Não é qualquer universo que pode receber 12 visitantes tão ilustres e acolher 12 interpretações tão radicalmente diferentes do mesmo herói.
Doctor Who, o fenômeno cultural britânico que conquistou o mundo, a série de ficção científica mais antiga da televisão, conta as aventuras do Doutor, um alienígena de aparência humana que trafega livremente pelo tempo e o espaço. Fascinado pelo planeta Terra e a humanidade, o Doutor está sempre acompanhado de um terráqueo enquanto viaja na sua nave, a TARDIS, por todos os cantos do universo e da história.
Para celebrar os 50 anos da série, completados em 2013, 12 dos maiores nomes da literatura fantástica da atualidade entre eles Eoin Colfer, Marcus Sedgwick, Philip Reeve, Richelle Mead, Neil Gaiman e Holly Black homenageiam o personagem com histórias inéditas na aguardada coletânea Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias.
Em 51 anos de TV, o Doutor foi interpretado por 12 atores diferentes, cada um deles uma encarnação diferente do personagem, com personalidades e trejeitos diferentes. As muitas faces do Doutor e suas jornadas10 infinitas ofereceram aos criadores da série a liberdade de explorar não só as galáxias e profundezas do tempo, mas também temas que vão do lírico ao terror, numa verdadeira investigação do coração e da mente do ser humano.
É essa mesma liberdade de imaginação que agora vemos nas mãos de 12 dos autores de ficção mais queridos da atualidade, que foram conquistados pelas peripécias do Doutor, alguns desde que eram crianças, e que agora compartilham com os fãs dele e seus próprios leitores 12 visões muito particulares do personagem mais cativante deste lado da galáxia.
Lançada pela BBC britânica em 1963 e exibida em mais de 60 países, a série Doctor Who segue arrebatando novos fãs a cada dia e inspirando autores de fantasia e ficção científica de todo o mundo. As histórias reunidas na coletânea Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias também estão disponíveis individualmente em e-book.
Fonte: Skoob

Para quem assiste ao seriado, esse livro é como se fosse uma extensão. As histórias são contadas em formatos de contos e parecem um novo episódio para cada regeneração do Doctor. Assim como a série, são histórias aleatórias, com diferentes companions e nos levam para diferentes situações e diferentes planetas.

Em termos de história, não tenho muito o que comentar. Como citei, é uma expansão da série então serve para quem já acompanha e quer ver mais sobre em um formato diferente ou para quem ainda não conhece, mas quer saber do que se trata. Esse segundo público, na verdade, é quem consegue tirar mais desse livro, já que em 480 páginas pode conhecer os mais de 50 anos desse seriado.

Tratando-se de uma edição comemorativa, acho que acertaram a mão: reunir diferentes autores e histórias que celebram a diversidade, criatividade e longevidade dessa história. Vale a pena para quem gosta de ficção científica e também para quem gosta de contos e leituras rápidas.

Ficha técnica:
Livro: Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias
Ano: 2014
Páginas: 480
ISBN-10: 8568263046
Editora: Rocco

Cinema

MULHER-MARAVILHA: VALE A IDA AO CINEMA?

Chegou o filme da Mulher-Maravilha. Eu, que adoro um filme de super-herói, estava bem animada com esse por dois motivos: uma personagem nova (não aguento mais ver novas versões dos mesmos heróis) e uma protagonista mulher! Apesar de gostar bastante, meu envolvimento com esse tipo de produção é relativamente recente, então isso foi uma (ótima) novidade.

Mesmo animada,  estava também com um certo receio já que os dois filmes da DC que assisti ano passado deixaram a desejar no roteiro. Parece que alguém, finalmente, acertou o ponto por lá. Eu, que conheço pouco da história da Mulher-Maravilha (não sei muito sobre a Liga da Justiça também) gostei muito, apesar de já querer assistir de novo para entender melhor alguns pontos (sessão da meia-noite com sono não foi minha melhor ideia), mas o mais legal foi ver amigos que são super fãs super felizes com o resultado do filme. Se vale ir ao cinema? Vale sim.

  • Vamos começar com o girl power maravilhoso que é esse filme. Nós começamos a história na ilha das amazonas e podemos ver como treinam e como se tornam super mulheres. É bem incrível.
  • Lembra quando a Mulher-Maravilha apareceu no fim de Batman Vs Superman e roubou a cena? Agora ela faz isso em um longa todinho dela.
  • A história em si é boa. Uma amazona que vem para a Terra em meio à guerra para instaurar a paz por aqui, um tanto de romance, de humor e mensagens de esperança e amor.
  • Girl Power #2: o filme foi dirigido por uma mulher.
  • Os cenários, figurinos e cenas de luta estão muito bons. A produção mandou muito bem.
Shows

ED SHEERAN EM CURITIBA

Eu não estava planejando um post sobre esse show. Até pensei em escrever sobre algumas vezes, mas acabava deixando pra lá. Li uma notícia que definiu o show em São Paulo como ‘simplão, mas que encanta’, que me deixou com vontade de chegar aqui e dizer: não foi simplão não.

Ed Sheeran pode não ter uma mega-produção, bailarinos, fogos de artifício ou trocas de roupa, mas ainda bem. Não combinaria com o estilo de música que ele apresenta. O show tem cara de voz e violão, e, apesar de ter sido para um público enorme (parece que mais de 18 mil pessoas), se torna mais intimista – rolou até cantar Give Me Love a pedido do público.

Com um pop meio romântico, meio folk, ele se encarrega de recriar as músicas ao vivo. Com a voz, o violão e batidas, cria os ritmos utilizando um pedal e vai montando as músicas. Achei bem incrível como o show não perdia o ritmo, mesmo quando entre uma música e outra, Ed ia para o microfone gravar alguns sons – o que acabou sendo bem divertido, tentando adivinhar qual seria a próxima música.

O telão foi um show a parte: ao invés de criar cenários ou transmitir o show para quem estava mais longe, as telas atrás do palco se encarregaram de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O palco ficou lindo, a produção de luzes brilhou e é o que, junto com os arranjos das músicas, não me deixa ver o show como simplão. Simplão é show sem cenário, sem jogo de luzes. Show de festival. Ele não chegou aqui e apenas colocou a cara no palco, deu pra perceber o trabalho de produção para montar a apresentação que combinou muito com o estilo dele.

Com cara de quem gosta do que faz, Ed Sheeran manteve o público da Pedreira na palma da mão durante as quase duas horas de show. De camisa da seleção brasileira e bandeira do Brasil em mãos, encerrou a noite com a certeza de que agradou o público de Curitiba. Se for pra adicionar um pouco de poesia, diria que a música “What do I know?” representa bem o que ele faz no palco.

So let’s all get together, we can all be free
Spread love and understanding, positivity

Set-list:

  • Castle on the Hill
  • Eraser
  • The A Team
  • Don’t / New Man
  • Dive
  • Bloodstream
  • Happier
  • Galway Girl
  • Hearts Don’t Break Around Here
  • Give Me Love
  • Photograph
  • Perfect
  • Nancy Mulligan
  • Thinking Out Loud
  • Sing
  • Shape of You
  • You Need Me, I Don’t Need You
Seriados

SOBRE VICTORIA

Depois de ter me apaixonado por The Crown, abri meu coração para outras séries sobre famílias reais. Victoria, da ITV, apareceu na minha frente e posso dizer que devorei os oito episódios da primeira temporada.

A série conta a história da Rainha Victoria (Jenna Coleman), quando descobre que vai assumir o trono. Um pouco semelhante à The Crown, mas Victoria era ainda mais jovem e enfrentou um mundo com complexidades diferentes.

Em 1838, depois de uma vida isolada, apenas com sua mãe e seus conselheiros, Victoria assume o poder do Reino Unido aos 18 anos – uma idade que, unida à sua baixa estatura, deve ter colocado ainda mais desafios em sua vida.

Apesar disso, a série não é focada em governo. O destaque fica para os relacionamentos, tanto da família real como também dos empregados. Vemos Victoria como pessoa, como descobre sua força e como muda. A ITV criou uma rainha forte, teimosa e romântica, que, ao que me pareceu em pesquisas, é relativamente fiel à verdadeira.

Victoria também nos apresenta romance. E de uma doçura e sutileza que é muito gostoso acompanhar. Victoria e Albert (Tom Hughes) formam um casal que, a princípio, parece errado, mas que me conquistaram em diversas cenas.

Filmes ou séries que retratam outras épocas me encantam demais. Essa coisa de criar bailes com coreografias, detalhar figurinos, maquiagens e penteados dão um brilho extra a esse tipo de produção. O roteiro é gostoso de acompanhar e traz de tudo um pouco:  drama, comédia, cenas rotineiras e as diferenças entre o mundo real e o mundo dos serviçais.

Para quem gosta desse estilo de história e, especialmente romances de época, Victoria é imperdível.

* Trivia: Victoria e Albert tiveram nove filhos. Todos eles, e boa parte dos seus netos, casaram-se com integrantes de famílias reais pela Europa, o que rendeu a ela o apelido de “avó da Europa”. As famílias da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Phillip têm parentesco com ela.