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Vale a pena assistir Harry Potter e a Criança Amaldiçoada?

Há um ano, o livro com o roteiro da peça teatral Harry Potter e a Criança Amaldiçoada chegou em versão traduzida aqui no Brasil. Alguns meses antes, o roteiro em inglês já era vendido e a sessões estavam lotadas em Londres. Nesse tempo que passou, a peça ganhou uma versão na Broadway, em Nova York e já foi anunciado que ela deve ir para a Austrália – o que é maravilhoso por dar a oportunidade de mais pessoas assistirem, afinal, nem todos moram em Londres e o teatro é relativamente pequeno (o que justifica as sessões esgotadas e vendas absurdamente antecipadas).

Mas nem tudo são flores e, apesar da recepção ótima que teve no teatro, inclusive com prêmios, a resposta dos fãs que leram o roteiro publicado, inclusive a minha, da tal oitava história de Harry Potter não foi lá essas coisas. Com alguns spoilers, as principais críticas são ao enredo e ao desenvolvimento das personagens. É difícil acreditar que a Rowling permitiu a criação de uma história com base em vira-tempos – algo que ela tentou tirar da história durante a saga original – e deixou seus personagens terem futuros tão ruins – sim, ninguém quer acreditar que o Harry tenha se tornado esse pai péssimo, dentre outros problemas. Mas e a peça? Vale assistir? 

Ano passado quando escrevi a resenha para o livro, não imaginava que eu um dia assistiria a peça, mas nesse louco mundo consegui ingressos para a apresentação em agosto e separei aqui quatro motivos que fazem super valer a pena, se puder, estar lá e deixar esse não-gostei-da-história de lado.

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É uma experiência única
Os ingressos não são baratos, nem fáceis de conseguir. Enquanto estive em Londres, mais de uma vez vi ingressos por 250 libras e que tinham a visão limitada, seja pelo local do assento ou por algo da estrutura do teatro. Ingressos com preços acessíveis são comercializados às sextas-feiras, mas são poucos e a procura é enorme. Então se aparecer uma oportunidade por um preço legal, vale sim. É uma experiência única. Mesmo que a peça esteja indo para outras cidades, o público nunca será o mesmo que teve acesso aos filmes e livros e não tem como saber por quanto tempo ela vai ficar em cartaz. A título de curiosidade, eu paguei 85 libras no ingresso para as duas partes.

É teatro
Esse é um novo formato, é uma nova proposta e é a apresentação da magia no teatro. É super legal ver como a iluminação, música, coreografias e cenários foram utilizados para dar vida à magia que imaginamos nos livros e vemos nos efeitos visuais do filme. É muito legal também ver outros atores interpretando personagens que já conhecemos, mas de uma maneira completamente nova.

Saber o que acontece

Existe toda uma campanha para mantermos os segredos e não estragarmos a experiência de quem ainda pode assistir. A equipe do teatro é bem atenta a quem possa estar tentando filmar ou fotografar, então o único jeito que você tem para saber o que acontece é assistindo. E é o jeito certo. Não acho que eu contar o que aconteça vai fazer alguém desistir de ir até lá ou estragar 100% a experiência, mas é super legal ver a preocupação em manter a surpresa e é maravilhoso ser surpreendido pelo que está acontecendo, mesmo que a gente já conheça a história.

Entender o propósito
Só depois de sair do teatro, completamente apaixonada pelo Scorpius Malfoy aliás, é que entendi para que essa peça foi feita. Não é a oitava história. Para melhorar, só não deveria ser considerada oficial na linha do tempo. Do mesmo modo que criaram os parques temáticos e transformaram os estúdios em museu, Harry Potter foi parar nos teatros por ser muito maior que a história dos sete livros – ou mesmo dos cinco filmes de Animais Fantásticos. E é um universo tão incrível que merece histórias sendo contadas de todos os jeitos. O que a gente tem aqui é um enredo esquisito, mas que nos traz de volta personagens e eventos que amamos ler sobre em um formato que atrai fãs e curiosos. Foi ali que vi como a peça está mantendo a história viva, encantando novamente e conquistando um público inteiramente novo.

Mas tá, eu gostei de tudo?

A história, logicamente, não mudou do que lemos. É diferente quando estamos assistindo, mas continuo achando o Harry medonho, a Rose uma chata e ridícula a ideia de o Voldemort ter filhos. São fatores que eu relevei quando estava lá e acredito que não sou a única.

O ponto negativo da peça em si é mesmo a duração. São mais de CINCO HORAS dentro do teatro. A parte um tem mais de 2h30 e a parte dois chega perto disso, contando o tempo para chegar, sentar e sair, você se sente um prisioneiro do lugar. É um tempo longo e não tem como não cansar. Eles vendem duas opções: assistir em dois dias ou em um só. Consegui ingressos para um só e gastei todo o meu domingo dentro do teatro – e deu pra sair cansada como se tivesse feito várias coisas durante o dia. Se pudesse ser menor, seria um brinde!

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