Música, Shows

Paul McCartney em Porto Alegre

E como um show nunca é só um show

Assistir a um show do Paul McCartney é uma experiência completa: música, luzes, diversos instrumentos, produção audiovisual e pirotecnia. Aos 75 anos, além de ter uma energia absurda, o espetáculo que traz não fica atrás de nenhum grande nome da música que seja mais jovem. O show que aconteceu sexta-feira (13/10) em Porto Alegre foi o primeiro no Brasil da turnê One on One, que começou em abril de 2016.

Um novo set-list recheado de sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo entreteve o público durante as quase três horas de apresentação, que começou poucos minutos depois das 21h. Como aconteceu em outras passagens dele pelo Brasil (e imagino que deva ser assim sempre), mais ou menos meia hora antes de começar o show em si, um vídeo com fotos e vídeos de toda a história dele começa e a gente nem percebe os últimos minutos de espera pro show. Dessa vez, vimos a vida de Paul e sua carreia artística, acompanhando os anos passarem pelos fatos históricos representados, como a coroação da Rainha Elizabeth e a chegada do homem à lua.

Apesar de ter algumas músicas quase fixas no set-list, pude ouvir outras 14 diferentes do último show que fui em São Paulo. Para começar, A Hard Days Night, música que, pelo que li, não era tocada ao vivo por um Beatle desde 1965. A partir daí fomos intercalando sucessos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo, como Can’t Buy Me Love e Jet.

Em um palco improvisado no meio do verdadeiro palco, a banda ficou mais próxima em uma representação de uma viagem ao passado. Com a projeção de uma casa no telão, ouvimos alguns dos primeiros sucessos dos Beatles, inclusive a primeira música gravada pelos Fab Four, In Spite of All The Danger.

As tradicionais homenagens não ficaram de fora. Maybe I’m Amazed para Linda, My Valentine para Nancy, Here Today para John e Something para George. Dessa vez também houve mais uma: Love Me Do para George Martin, produtor dos Beatles. Outra coisa que não mudou foi a reação do público em Ob-la-di Ob-la-da, de uma felicidade imensa, e as músicas que encerram a primeira parte do show – Let it Be, Live and Let Die e Hey Jude, que sempre transforma o show em um grande coral.

Para Live and Let Die, um renovado conjunto de fogo e fogos de artifício levaram o público ao delírio – e também deram alguns sustos.

Na volta, ao palco, as conhecidas bandeiras do Brasil e do Reino Unido vieram acompanhadas da do movimento LGBT. No repertório, momento para os últimos acordes: Yesterday, que foi seguida por Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) – e fez meu show valer – meninas no palco dançando Birthday e o tradicional fim com Golden Slumbers, Carry the Weight e The End.

Foram 39 músicas, 25 sucessos dos Beatles (e ainda ouvi quando acabou que ele deveria cantar mais Beatles, pasmem!). Apesar da maioria já ter anos de história, o álbum New também fez parte do setlist, além de FourFiveSeconds, gravada com Rihanna e Kanye West.

Mas que o show do Paul McCartney é incrível você provavelmente já ouviu antes.

O que pouca gente comenta é como a experiência de ir nesse show é diferente das outras. Dessa vez fomos de avião e, ao chegar ao aeroporto, começamos a encontrar as camisetas do Paul e dos Beatles. Ao chegar em Porto Alegre, notícias sobre Paul no jornal do almoço, um shopping próximo ao estádio estava com uma exposição contando a história dos Beatles, com alguns objetos, como discos, ingressos e autógrafos expostos.

Além disso, o público é absurdamente diverso. De crianças a idosos. Gente fã de Beatles, de Wings, do Paul. Fã das músicas mais românticas, dos solos de guitarra, das animadas ou da pirotecnia de Live and Let Die.

Da primeira vez que vi Paul McCartney, conhecia pouco do seu trabalho pós-Beatles e fui mais pela experiência de ver um deles ao vivo. Da segunda vez, fui para levar minha mãe – que também é fã, mas não pode ir comigo no primeiro – e o que mais vi foi esse desejo de viver a Beatlemania nos anos 2010. Dessa vez, vi Paul por Paul.

São anos de história que ele mesmo faz questão de homenagear, sempre lembrando os Beatles como grupo. São anos de história que ele aceita que precisa trazer para um show porque, se optar por ignorar, vai gerar uma grande decepção. Mas não tem como negar que ele também é um músico que segue se renovando, com várias fases. É um artista que transmite muito no palco. Que fica mais jovem a cada música. Que interage, sorri, puxa o público para participar. É uma apresentação que é tão gostosa que, mesmo durando tanto, a gente mal vê passar.

O set-list completo:

  • A Hard Day’s Night
  • Junior’s Farm
  • Can’t Buy Me Love
  • Jet
  • Got to Get You Into My Life
  • Let Me Roll It
  • I’ve Got a Feeling
  • My Valentine
  • Nineteen Hundred and Eighty-Five
  • Maybe I’m Amazed
  • We Can Work It Out
  • In Spite of All the Danger
  • You Won’t See Me
  • Love Me Do
  • And I Love Her
  • Blackbird
  • Here Today
  • Queenie Eye
  • New
  • Lady Madonna
  • FourFiveSeconds
  • Eleanor Rigby
  • I Wanna Be Your Man
  • Being for the Benefit of Mr. Kite!
  • Something
  • A Day in the Life
  • Ob-La-Di, Ob-La-Da
  • Band on the Run
  • Back in the U.S.S.R.
  • Let It Be
  • Live and Let Die
  • Hey Jude

Encore:

  • Yesterday
  • Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
  • Helter Skelter
  • Birthday
  • Golden Slumbers
  • Carry That Weight
  • The End
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