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Resenha: Como tatuagem, Walter Tierno

Como tatuagem me atraiu por conta do título. Adoro tatuagens, histórias de tatuagens e pessoas tatuadas. A sinopse me chamou a atenção, apesar de me deixar com a impressão de saber como seria o fim. Tierno conseguiu uma façanha, na verdade: criou dois personagens com personalidades muito difíceis de gostar, uma história que dava pra imaginar onde chegaria e, ainda assim, me surpreendeu e me deixou presa à leitura. Acertei algumas coisas e errei outras, mas considerando tudo, gostei do resultado!

Artur é um cara rico, superficial e egoísta. Bonito e popular entre as mulheres, não tem o menor respeito por elas — sua vida amorosa se resume a colecionar parceiras na cama. Essa rotina de prazeres e privilégios é interrompida quando ele sofre um grave acidente de carro. Para ajudá-lo a se recuperar, sua mãe contrata a fisioterapeuta Lúcia.
Desde criança, Lúcia sofre o preconceito que persegue os portadores de vitiligo. Sua mãe sempre esteve presente para apoiá-la e fazê-la enfrentar os obstáculos que a vida lhe impõe. De temperamento doce, porém decidido, Lúcia tem uma consciência peculiar e aguda sobre o mundo. Mas, quando se vê sem o amparo materno, suas certezas desabam.
O encontro de duas pessoas tão diferentes vai gerar muito atrito, mas com o tempo Lúcia e Artur vão descobrir algumas das infinitas facetas do amor e, entre conquistas, medos, perdas e paixões, verão suas vidas transformadas para sempre.

Fonte: Skoob

O livro começa com Artur. O típico playboy que se acha melhor que todo mundo e só quer pegar todas as mulheres. Filho de gente rica, ganhou um apartamento do pai que usa só para levar suas conquistas e despachá-las no meio da noite. A narrativa começa com ele contando um último encontro que teve com Cris até o acidente que sofreu que causou sua amputação. Não tem como simpatizar com ele.

Conhecemos então Lúcia, que divide a narrativa com Artur. Ela narra um de seus dias comuns, mas que acaba sendo péssimo. Ela tem vitiligo e sofre preconceito de uma das pacientes da clínica onde trabalha. Se já não fosse suficiente, no almoço recebe uma ligação contando que sua mãe faleceu. As duas tragédias já acontecem no começo do livro e lideram a narrativa.

Lúcia acaba contratada para ser fisioterapeuta de Artur e é a partir de então que a história se desenvolve e fica envolvente.

A história se passa em São Paulo e o autor faz questão de nos localizar em várias cenas, com nomes de praças, metrôs e ruas, o que foi meio fail porque não me ajudava em imaginar a história (não conheço SP bem o suficiente pra entender quanto tempo a Lúcia ficou no caminho entre a casa e a clínica dela, por exemplo). As doses de realidade, tanto nos acontecimentos, como no modo da narrativa, deixam esse livro bem distante das fantasias. Acho que o autor exagerou um pouco nos dramas envolvidos, mas eles não tiram a ideia de realidade da história.

Cada capítulo é contado por um dos dois, em primeira pessoa. No começo, sem muita relação entre si, mas depois que se encontram, as histórias complementam-se e a variação dá bastante dinâmica para o livro. Para mim, a história acaba sendo clichê em seu geral, mas o livro traz várias particularidades que nos surpreendem e fazem dessa leitura uma daquelas que a jornada vale mais que o destino.

Ficha técnica
Autor: Walter Tierno
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 308
ISBN-10: 8576865343

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