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Resenha: O Papel de Parede Amarelo, Charlotte Perkins Gilman

O Papel de Parede Amarelo foi um livro surpresa que o Grupo Editorial Record nos mandou em março. É considerado um clássico da literatura feminista e é a primeira vez que o livro chega ao Brasil, um lançamento da Editora José Olympio.

Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.
Fonte: Grupo Editorial Record

O Papel de Parede Amarelo é daqueles livros que você lê tão rápido que, se não estiver atento, vai olhar e perguntar: “mas já acabou?”. Foi o que aconteceu comigo. Esse livro contém um prefácio, o conto em si e várias páginas sobre a autora. O sobre a autora, inclusive, é super válido pois ajuda a compreender a história, contextualiza a escrita e dá ainda mais sentido para o conto.

O conto é meio perturbador. Não consigo pensar em outro termo para definir. É escrito em primeira pessoa, como um diário, por uma mulher que está triste e desmotivada (podemos ler como depressão) mas que não tem esse quadro assumido por seu marido, médico, ou qualquer outro médico da época. Suas alternativas são passar um período em uma casa de campo ou então ir para um hospício.

O livro traz alguns costumes que, ao ler, faz qualquer pessoa entender o porquê de (ainda) precisarmos do feminismo. A personagem não está bem e não consegue exercer suas “funções de mulher” – não tem motivação para cuidar da casa, por exemplo. Ela é então “internada” nessa casa de campo, em um quarto que odeia, e é impedida de fazer esforço e até de pensar. No conto podemos acompanhar o que esse tratamento ocasiona. Não é uma leitura agradável, pois mostra o processo de enlouquecimento dessa mulher que, ao não ter nada para fazer, se depara com um papel de parede de péssimo gosto e decide decifrá-lo.

Apesar de nos deixar com um gosto meio ruim na boca ao ler, achei uma leitura bastante válida e que é ótima para abrir nossos olhos para nossa sociedade – não apenas o feminismo, mas também como ainda sofremos com doenças da mente e como é complicado o tratamento e até assumir a existência dessas doenças. É super bem escrito, mas não é muito direto, então o leitor precisa prestar atenção para realmente entender o que está lendo.

Ficha técnica
Autor: Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Páginas: 112
Ano: 2016
ISBN-10: 8503012723

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