Livros, Romances

Resenha: É assim que acaba, Colleen Hoover

Colleen Hoover é o tipo de autora que sabe escrever um livro envolvente. Já li algumas histórias românticas criadas por ela e já sei um pouco o que esperar em seus livros. De qualquer maneira, esse me surpreendeu em vários aspectos.

Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade.
Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco.
Fonte: Grupo Editorial Record 

Lily, Ryle e Atlas são meus personagens preferidos da Colleen. A história se passa quando os três estão no começo da vida adulta, seus 20 e poucos anos, começando carreiras, mudando de sonhos e lidando com relacionamentos. Esse foi um dos aspectos que mais gostei no livro, já que até então só tinha lido livros dela direcionados a Young Adults, com os conhecidos personagens de 16 anos.

Os três têm histórias de vida que justificam quem são e decisões que tomam no presente. Marcados por fatos em seus passados, que aparecem com frequência em várias das situações do presente, temos uma narrativa que fica bem dinâmica. Lily é quem conta a história. Pelo seu ponto de vista, acompanhamos seu novo emprego e relacionamento com Ryle enquanto lemos seus antigos diários e conhecemos mais sobre ela e também sobre seu primeiro amor, Atlas.

Tudo poderia ser um romance água com açúcar, um triângulo amoroso, mas (como já é esperado em um livro da Colleen), temos uma situação dramática na história. Dessa vez, a pauta escolhida é a violência doméstica. Desde o começo do livro sabemos que o pai de Lily abusava de sua mãe, mas Colleen nos surpreende e coloca o assunto no centro da narrativa no presente e com nossos personagens principais.

“Quinze segundos. Isso é tudo o que é preciso para mudar completamente tudo sobre uma pessoa.”

Não tem como parar de ler depois que chegamos a esse ponto. Não tem como não nos colocarmos no lugar das personagens. É a partir daqui que a narrativa te coloca para refletir.

“Todos somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.”

Eu gostei muito do modo como as situações foram conduzidas. É tudo verossímil e isso deixa o livro muito melhor. Colleen fez um trabalho excelente em conduzir a narrativa sem induzir o leitor a ter uma opinião a favor ou contra os personagens. Você toma as próprias decisões e pode concordar ou não com as escolhas tomadas.

Considero esse o melhor livro publicado pela Colleen até o momento aqui no Brasil. Só achei que o título em inglês (It Ends With Us) faz muito mais sentido com a narrativa que a tradução, mesmo sendo quase um spoiler. Vale super a pena a leitura, mas também vale o aviso que temos cenas bem explícitas de violência. Inclusive, no fim do livro, temos notas da autora, que também são explícitas, sobre o que a inspirou a contar essa história.

Ficha técnica
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Páginas: 368
ISBN-10: 8501301647

Comédia, Livros, Romances

Resenha: O Projeto Rosie, Graeme Simsion

Quer se apaixonar pelas ações de um personagem? Pela narrativa e estilo de escrita? Conheça Don Tillman e O Projeto Rosie. A primeira vez que ouvi falar sobre essa história foi num daqueles textos que o Bill Gates faz divulgando listas de livros que ele gostou. O nome me chamou a atenção e, quando a Record relançou o livro com uma nova capa – assim que saiu o segundo volume da história – não tive dúvidas que queria conhecer a história. Ainda bem, porque me apaixonei perdidamente por essa narrativa.

Para se ter a vida de Don Tillman, não é preciso muito esforço. Às terças-feiras come-se lagosta com salada de wasabi; todos os compromissos são executados de acordo com o cronograma e, se apesar dessa programação, algum desagradável contratempo surgir em sua rotina, não há nada que não possa ser solucionado com meia hora de pesquisa científica. Exceto as mulheres. Até o momento, a única coisa não esclarecida pelos estudos no campo de atuação de Don, a genética, é o motivo para sua incapacidade de arrumar uma esposa. Uma namorada ao menos? Ou até mesmo uma amiga para somar ao seleto grupo de amigos de Don, formado por Gene, também professor na universidade, e a mulher dele, Claudia, psicóloga e esposa muito compreensiva. Para solucionar esse problema do modo mais eficaz, Don desenvolve o Projeto Esposa, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a filtrar candidatas inadequadas a seu estilo de vida. O único problema é que um questionário desse tipo exige tempo e dedicação, duas coisas que começaram a diminuir exponencialmente no cotidiano de Don desde que ele conheceu Rosie: fumante, vegetariana e incapaz de chegar na hora marcada. Ou esse era o único problema até Rosie entrar na vida de Don e – despretensiosamente, uma vez que ela nunca se candidatou ao Projeto Esposa – mostrá-lo que a mulher ideal não existe, mas o amor, sim.

Don é cheio de manias. Cheio mesmo. Sua rotina é cheia de detalhes e seu cronograma feito com base nos minutos. Isso poderia ser muito irritante em um personagem principal, não fosse o humor com que tudo é contado e o próprio enredo. Don quer uma esposa, mas não pode ser qualquer mulher – nem esperar uma paixão. Para encontrar a candidata perfeita, cria um questionário insano.

Em meio as entrevistas, conhece Rosie, que não sabe quem é seu pai. Don então decide ajudá-la e acaba percebendo que o questionário não vai bem, pois ele prefere passar seu tempo com Rosie – que, aliás, tem respostas erradas para quase todos os itens do questionário. Surge então O Projeto Rosie, e nós podemos acompanhar de perto as situações que esse casal passa.


A narrativa transforma esse livro em algo super divertido, que não queremos parar de ler. Don é o cara mais irritante e mais apaixonante que eu já vi – ele lembra um pouco o Sheldon, de The Big Bang Theory, mas consegue ter manias ainda mais esquisitas e ele sempre acaba em situações bizarras (para ele, para o leitor são mesmo super engraçadas). A leitura flui muito bem e quando vemos, a história já acabou e queremos mais. A ideia é muito boa e Graeme Simsion conduziu o livro muito bem.

É um livro que daria um ótimo filme de comédia romântica – aqueles estilo anos 90/00 que eram super divertidos e ótimos para um dia preguiçoso – mas apesar de terem algumas negociações, não parece que vai sair do papel tão em breve (existe um lançamento para maio de 2019, mas não sei se ainda é válido).

A edição que eu peguei é a segunda lançada aqui no Brasil, essa da da capa laranja, que, apesar de menos fofa que a outra (que vocês podem ver ali em cima), faz muito mais sentido com o estilo literário dos livros. Como curiosidade, o livro se passa na Austrália, de onde é o autor.

Em breve rola a resenha da continuação, O Efeito Rosie, por aqui. Não perca!

 

 

 

Ficha Técnica:
Autor: Graeme Simsion
Editora: Record
Ano: 2013
Páginas: 320
ISBN-10: 8501402214

Aventura, Livros

Resenha: A Morte do Capitão América, Larry Hama

A Morte do Capitão América foi meu primeiro contato com algo escrito da Marvel – nem quadrinhos eu tinha lido antes porque não gosto muito desse tipo de narrativa. O modo como a história é escrita e organizada é bem diferente do que estava acostumada, talvez por vir de quadrinhos, e me deixou curiosa do primeiro momento ao último.

Ele foi um herói para milhões de pessoas. Uma inspiração para as forças armadas norte-americanas e personificação dos maiores ideais de sua nação. Ele viveu por seu país – e agora, alvejado a sangue frio, deu sua contribuição final à terra que tanto amou. A morte do herói tem sérias consequências. Falcão, seu parceiro de toda a vida, faz da vingança sua prioridade. Sharon Carter, prisioneira dos capangas de Caveira Vermelha, encontra-se fora de controle. E Bucky Barnes, mais conhecido como Soldado Invernal, precisa se reconciliar com seu passado sórdido, a fim de encarar uma missão que mudará sua vida. Testemunhe a monumental releitura do mito do Capitão América nesta incrível adaptação trazida ao Brasil com exclusividade pela Novo Século.
Fonte: Skoob

Esse título quebrou meu coração. O Capitão América é um dos meus super-heróis favoritos e imaginar produções futuras sem Steve Rogers é triste, mas a história se desenvolve bem e, mesmo morto, é ele quem dá o tom e lidera a narrativa.

A narrativa começa algum tempo depois de Guerra Civil, quando os heróis passam a ser registrados e não podem mais agir por conta própria. Steve estava preso por não concordar com essa regulamentação e, ao ser julgado, acaba atacado e morto.

Mas o Capitão América é uma personalidade que é maior do que a pessoa. Ele representa a luta e a vitória e como pode uma nação seguir sem essa imagem para se inspirar? Além disso, os problemas continuam, tanto com os vilões como também entre os próprios heróis e com eles mesmos, essa coisa de conflitos internos.

Em uma narrativa acelerada, que mistura dois pontos de vista na mesma história, acompanhamos o fim e o recomeço da essência do Capitão América. Contar a história sem o apoio das ilustrações poderia tornar esse livro chato, mas Hama consegue dar um ritmo muito bom para a narrativa. Por contar duas histórias paralelas, que em um momento se encontram, o livro também poderia ficar confuso, mas tudo é feito de forma complementar – apesar de ter um foco diferente, ler intercalando faz todo o sentido do mundo.

Foi uma delícia explorar uma história que eu já gosto muito no cinema nos livros!

Ficha técnica:
Autor: Larry Hama
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 352
ISBN-10: 8542808002

 

Chick-lit, Romances

RESENHA: GAROTAS DE VESTIDO BRANCO, JENNIFER CLOSE

Garotas de vestido branco narra a vida de várias amigas em seus 20 e poucos anos. Poderia ser a história de basicamente qualquer jovem mulher (até homem, ouso dizer) e isso é, ao mesmo tempo, um dos pontos positivos e negativos do livro.

Isabella, Mary e Lauren sentem que todos os seus amigos estão se casando. Domingo após domingo, chá de panela após chá de panela, elas admiram presentes, recolhem fitas e papéis de embrulho e comem sanduíches e cupcakes enquanto usam vestidos em tons suaves e bebem champanhe. Mas, em meio a tanta comemoração, essas mulheres têm a própria vida para enfrentar. Com um senso de humor carregado, Jennifer Close nos faz reviver os tempos de emoção, desconcerto e “o que diabos estou fazendo com a minha vida?” do início da idade adulta. Passando por péssimos encontros familiares, viagens desastrosas e relacionamentos arruinados pela política ao mesmo tempo que outros começam em pet shops, Garotas de Vestido Branco nos leva para dentro de um círculo de amizade que, com perfeição, reúne alegrias e frustrações da vida moderna.
Fonte: Skoob

A narrativa começa com Isabella lembrando o casamento da irmã mais velha, que aconteceu alguns anos antes. A história então pula para o dia no qual decide se mudar para Nova York, e ai temos a primeira ideia de como será a narrativa. Jennifer Close opta por uma narrativa não linear, o que torna as coisas dinâmicas (super bem utilizado para uma história sobre pessoas comuns), mas também um pouco confusas (Quem ia casar mesmo? Mas esse filho nasceu ontem, com quantos anos ele está?).

O livro me surpreendeu por ir além da sinopse. A história não é sobre intermináveis chás de panela, mas sobre começar a vida adulta, arrumar um emprego, trocar de carreira, arrumar um namorado, talvez um noivo, um apartamento e também lidar com todas as crises dessa idade: meu emprego não paga o apartamento, o namorado é um idiota, minhas amigas estão com a vida resolvida e eu ainda sinto como se tivesse 14 anos.

Demorei um pouco para engatar na história, pois o estilo da narrativa deixa as coisas um tanto superficiais, especialmente para o leitor criar empatia com as personagens, mas depois que engata, a narrativa fica bem gostosa e dá pra rir das situações que as personagens passam e torcer para elas como se fizéssemos parte do grupo. Achei que a história terminou meio sem fim, mas como ela também começa sem um começo muito definido, estou bem com a decisão da autora.

É o típico livro que daria um bom filme de comédia romântica pra assistir (nesse caso, ler) despretensiosamente enquanto come pipoca e brigadeiro. O livro não é dos mais curtos, mas também não é dos mais longos. Os capítulos são focados em uma das personagens, tem um tamanho bom e são divididos em várias cenas diferentes, que vão contando diferentes situações para completar o total.

Ficha técnica
Autora: Jennifer Close
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2016
Páginas: 280
ISBN-10: 8528618188

Infanto-juvenil, Livros, Romances

Resenha: A probabilidade estatística do amor à primeira vista, Jennifer E. Smith

A probabilidade estatística do amor à primeira vista é o tipo de livro que eu comprei pela capa (a versão brasileira, que é muito mais fofa do que a original). Ela me enganou um pouco sobre a história, mas foi um livro super gostoso de ler.

Com uma certa atmosfera de Um dia, mas voltado para o público jovem adulto, A probabilidade estatística do amor à primeira vista é uma história romântica, capaz de conquistar fãs de todas as idades. Quem imaginaria que quatro minutos poderiam mudar a vida de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.
Fonte: Skoob

O jeito como Hadley e Oliver se conhecem é típico de sonhos/filmes de comédia romântica. E é o que dá o tom à história toda. Eles se conhecem no aeroporto e acabam sentando ao lado um do outro no avião, pela ajuda de uma senhorinha que acha que eles são namorados e se oferece para trocar de lugar com um deles.

Hadley não está nada animada com a viagem para Londres, já que está indo para o casamento do pai, algo que ainda não faz sentido para ela. Oliver aparece e acaba tornando toda a viagem mais agradável, mesmo com Hadley preocupada com o horário, já que atrasou-se e vai chegar em cima da hora da cerimônia. Como o nome do livro indica, os dois se dão super bem logo de cara e com o passar do tempo, vemos que tornam-se amigos e aparece aquela incerteza de talvez tenha algo a mais.

Oliver, apesar de ser atencioso, não nos conta logo de cara o que acontece com ele – sabemos desde o começo o motivo da viagem de Hadley, mas a dele não. A narrativa então usa o encanto dela por ele e esse mistério para se desenvolver.

A leitura é super leve e você quer logo chegar ao fim do livro para conhecer o desfecho da história. Apesar de ser um romance, a autora nos coloca em situações relativamente inusitadas nesse tipo de narrativa. As duas personagens principais são bem construídas, com um passado que justifica suas ações – o tanto que é possível desenvolver personagens e justificar escolhas em um livro curto, de narrativa leve sobre amor adolescente.

Eu até demorei alguns dias para ler, mas acredito que quem pega esse livro em um fim de semana com bastante tempo livre consegue ler rapidinho, em um ou dois dias. A escrita da Jennifer é super gostosa e a gente nem vê as páginas passarem.

Ficha técnica
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Páginas: 224
ISBN-10: 8501095443

Biografia, Cinema, Geek, Livros, Star Wars

Resenha: Como Star Wars Conquistou o Universo, Chris Taylor

Em 2015 eu decidi que estudaria como foi feito o Marketing de Star Wars para a pós-graduação. Foi então que descobri esse livro, que é quase uma biografia do mundo criado por George Lucas. Se já admirava o trabalho feito antes, agora que li sou ainda mais fã desse criador e acabei completamente apaixonada pelo mundo que ele criou e pelo cuidado que os fãs têm com essa história.

Por várias gerações, Star Wars tem arrastado fãs de todas as idades aos cinemas, às lojas de brinquedos, às livrarias — praticamente a todo lugar que se vai, Star Wars está presente como uma entidade maior do que os filmes da saga. É indiscutivelmente o maior fenômeno da cultura pop, tão abrangente em todos os sentidos que mesmo aqueles que não assistiram ao filme conhecem a figura de Darth Vader e a maior revelação da história criada pelo cineasta George Lucas.
Em um trabalho jornalístico surpreendente, Chris Taylor revela segredos que até o fã mais radical desconhecia, derruba e confirma antigos mitos e rumores sobre sua produção, e dá voz a todo mundo que foi relevante na criação de Star Wars como um todo, de aliados a desafetos de George Lucas. Porém, apesar de falar sobre Star Wars, o livro vai muito além: fala sobre cinema em geral, administração, gerenciamento de marca e até determinação pessoal.
Fonte: Skoob

A não ser que você tenha evitado muito, possivelmente esbarrou em alguma coisa de Star Wars. Fã ou não, deve conhecer alguns dos personagens mais marcantes ou até mesmo a trilha sonora. Nos últimos anos, talvez viu brindes, linhas especiais para lojas ou mesmo um balde de pipoca. Tudo isso porque Star Wars já é parte da cultura global e também porque a série renasceu em dezembro de 2015, com o início de (mais) uma nova trilogia e spin-offs. Com a chegada do primeiro filme, Star Wars estava, literalmente, em todos os cantos – e, pelo visto, vai continuar até que terminem todos os seis filmes esperados nessa nova fase (sim, seis!). Mas isso não é nenhuma novidade para essa franquia.

Eu só fui assistir Star Wars depois de seis filmes lançados – bem depois, aliás. Meu conhecimento sobre esse universo era bem pequeno, então Chris Taylor me ajudou a me situar em todo o histórico dessa narrativa. Como foi que George Lucas criou essa história? Em que se inspirou? Star Wars foi sorte de principiante ou é genial? Tudo explodiu já com o primeiro filme?

A narrativa te envolve desde a história de George Lucas e como o que ele assistia quando era criança e adolescente o influenciou. Conhecemos quais trabalhos Lucas fez e onde queria chegar. Lemos sobre o lançamento do primeiro filme, quando vieram os livros, produções que não deram tão certo e como o mundo foi dominado por action figures e um milhão de produtos de saga. Passamos pelos lançamentos de todos os filmes, lendo sobre seus perrengues e sucessos. Tudo baseado em entrevistas e pesquisa histórica. Essa leitura é uma viagem no tempo e na cultura pop/geek.

Sobre a história de Star Wars mesmo esse livro não trata. Mas te instiga a querer saber mais, a ver na tela as cenas que conhecemos pelos bastidores. Mas o que mais teve destaque para mim foi ler sobre como os fãs receberam a história, como se apropriaram dela, como cuidam dela hoje e a mantém viva. Se crianças hoje brincam com sabres de luz, é porque existe uma geração de pais que mostrou os filmes para eles. Isso sempre foi visto pelos responsáveis por Star Wars pelo lado positivo, então esse relacionamento com os fãs sempre foi valorizado e respeitado.

No livro, lemos sobre um museu de objetos relacionados à saga que foi criado por um fã, sobre um exercito de storm troopers, sobre organizações que fazem réplicas dos droids dos filmes. Star Wars é muito mais que filmes e Chris Taylor nos conta em detalhes como isso aconteceu. Apesar de ser uma delícia ler tudo isso, é também cansativo. São mais de 600 páginas carregadas de conteúdo, então não é aquela leitura para relaxar no fim do dia. É um livro maravilhoso para quem já é fã de Star Wars e quer saber ainda mais, mas também ótimo para quem, mesmo não sendo fã, é curioso e quer entender de onde vem todo esse burburinho.

Ficha Técnica
Autor: Chris Taylor
Editora: Editora Aleph
Ano: 2015
Páginas: 616
ISBN-10: 8576572796

*As fotos utilizadas nesse post foram feitas na Star Wars Experience, no Madame Tussauds, em Londres, em agosto de 2017.

Blog, Livros

BOOKTAG – Fim do Ano

Hoje é dia de TAG! Vi essa no blog Cantinho da Siz e achei que era um bom post para dezembro. Minha vida pessoal finalmente está acalmando (alguns compromissos acabaram agora no fim do ano) e vou poder me dedicar mais ao blog e também à leituras.

1) Há algum livro que você começou este ano e que precisa terminar?

Sim! Esse ano o que mais fiz foi começar livros e largar. Em especial, temos o S, do J.J. Abrams e o A History of Magic – minhas compras favoritas do ano e que acabaram esquecidas num cantinho. Mas isso vai ser só ano que vem mesmo.

2) Você tem um livro para a transição, para o final do ano? 

Nessa época eu gosto de coisas bem light, então chick-lits são minha opção. Ainda não tive tempo de ver qual será minha próxima leitura.

3) Existe uma nova edição / lançamento que você ainda está esperando?

No momento não. O que mais esperei esse ano foram os livros comemorativos de Harry Potter, que saíram com a exposição em Londres, e esses já estão comigo.

4) Quais os três livros que você quer muito ler antes do fim do ano?

Três não vai dar tempo! haha Mas queria muito retomar minha releitura de Harry Potter, que seria com O Prisioneiro de Azkaban.

5) Existe um livro que você acha que ainda pode te surpreender e vir a ser o seu favorito do ano?

Sendo bem realista com o meu tempo disponível, não.

6) Você já começou a fazer planos de leitura para 2018?

Já sim. Esse ano li quase nada e quero reverter isso em 2018. Meu primeiro plano é reduzir a pilha de comprados e não lidos.

E vocês, já têm planos para o próximo ano?

Disney, Roteiros Geek, Viagens

Meu chefe é o Mickey

Oito anos atrás eu embarquei, nas palavras da minha avó, em uma loucura. Pra mim foi só uma aventura mesmo. Estava no primeiro ano da faculdade e participei do processo seletivo para o International College Program da Disney e lá fui eu, no meu primeiro emprego, trabalhar para o Mickey (carinhosamente falando) durante minhas férias de verão.

Honestamente, não parece que faz esse tempo todo porque ainda lembro de muitas coisas em detalhes: a ansiedade lendo conteúdo sobre as entrevistas, sobre as locações de trabalho, sobre as casas e como foi tudo lá mesmo. Trabalhar na Disney foi uma experiência única, once in a lifetime, e, se o tempo provou algo, é que isso me marcou de uma maneira gigantesca.

De dezembro de 2009 a Fevereiro de 2010, trabalhei como Attractions/Operations no Magic Kingdom – ou seja, o Castelo da Cinderela era basicamente meu quintal. Lá, trabalhei na Fantasyland em três atrações: Snow White Scary Adventures, The Many Adventures of Winnie the Pooh e na Mad Tea Party – isso foi no período pré-expansão da Fantasyland, essas atrações já passaram por reformas e a da Branca de Neve já não existe mais, sinais que a minha Disney vive mesmo na minha memória. Além dos brinquedos, em alguns dias trabalhava com controle de pessoas durante os shows de fogos.

Trabalhar com as atrações significa mão na massa: controle de painéis que fazem os brinquedos funcionar, contagem de pessoas, controle das filas, verificar se os brinquedos estão funcionando, limpar a fila, dar informações sobre a área e, nos momentos de descontração, até soprar bolhas de sabão – a Fantasyland é onde estão concentrados a maioria dos brinquedos para crianças pequenas, então era parte do nosso trabalho deixar tudo ainda mais mágico.

Mas o trabalho em si não foi o que mais me marcou – apesar de ser legal dizer que eu sei como funciona uma montanha russa. A Disney é exemplo de várias coisas no mundo corporativo e uma delas é o atendimento ao cliente, que, descobri lá, só funciona porque é uma preocupação que eles tem com todos que trabalham lá, até quem vai para um trabalho temporário de dois meses e meio – foram vários dias de treinamento, antes de começar a trabalhar e também depois.

Lá, percebi como eles unem demanda e oferta de um jeito incrível – eu, no Brasil, queria uma experiência internacional para aprimorar o inglês; eles precisam de pessoas que falem idiomas para atender os visitantes. Vivi a cultura empresarial em um outro país e pude aproveitar os outros benefícios de um intercâmbio – conhecer pessoas de diversos países (morei com chinesas, australianas, americanas e brasileiros e trabalhei com pessoas de, pelo menos, dez nacionalidades), melhorei, e muito, o inglês e criei minha independência.

Além de tudo isso, teve também a experiência com os visitantes do parque. É incrível a variedade de pessoas que escolhe a Disney como roteiro de viagem e a gente acaba conhecendo vários deles. Pessoas de todas as idades, crenças, em diferentes momentos da vida – gente que vai lá relaxar, comemorar e até, infelizmente, quem vai para esquecer uma doença ou momentos ruins. São histórias que cruzam com você a todo momento e é difícil que não te coloquem para ver o mundo com outros olhos.

Claro, nem tudo foram flores. Tive dias difíceis, dias com trabalho até de madrugada, dias com mais de doze horas trabalhadas, regras de roupas, maquiagem e corte de cabelo, ônibus lotado para voltar do trabalho, etc. Mas o bom sempre compensou o ruim e aprendi muito com eles: a me respeitar, a respeitar os outros e até comecei a gostar mais de crianças. Passei a admirar a Disney mais pelo o que ela representa hoje na indústria no entretenimento do que pelos seus produtos e é daí que vem meu amor por produções voltadas ao público infantil.

A experiência é algo que não tem como explicar em um post de blog, mas é algo que eu sempre gosto de comentar, mesmo que um textão desses não fale muita coisa. O International College Program ainda está disponível e você também pode viver essa experiência. As regras certinhas estão no site da STB, agência que coordena o processo aqui no Brasil – não tô ganhando nada pra falar disso, apenas divulgando mesmo porque foi incrível e ouvi uns boatos que o Trump quer complicar visto pra esse tipo de trabalho. Além do ICP, a Disney também contrata brasileiros que já  tenham participado do ICP, para trabalhar lá durante as férias de verão deles, período que os parques recebem inúmeros grupos daqui. Ah, e se você acha que precisa ter muito dinheiro pra ir pra lá, é justamente o contrário. Esse é um daqueles programas Work and Travel então você não precisa pagar horrores para ir e ainda ganha um salário, que te mantém lá de boas.

Trabalhar na Disney pode até parecer uma ideia impossível – pra mim já foi – mas a verdade é que ela pode se tornar realidade sim.

Funko, Geek, Harry Potter, Unboxing

Unboxing: Funkubo edição 7

Já fazia algum tempo que eu estava com vontade de começar uma coleção de Funkos e de assinar alguma caixa. Acho super legal essa coisa de receber surpresas pelo correio e, em agosto, conheci a Funkubo no Geek City, evento que teve aqui em Curitiba. Como a edição seguinte seria de Harry Potter, resolvi que essa era a hora de fazer a vontade passar.

FunkosA caixa demorou um tempo para chegar – alguns atrasos fizeram algo que chegaria em outubro chegar só em novembro, o que só aumentou minha ansiedade e o medo de qual seria o meu Funko – se você indicasse um amigo e ele assinasse, poderia escolher três opções de Funko, mas não consegui virar VIP e estava totalmente no escuro e com medo de ganhar o Rabicho, com tantos outros personagens mais legais disponíveis, como dá pra ver na foto ao lado.

Mas enfim ela chegou e respirei aliviada quando vi cabelos ruivos no meu primeiro integrante da coleção.

Além do Funko, a caixa sempre traz outros produtos e dessa vez recebemos uma camiseta com um desenho super lindo do símbolo das Relíquias da Morte com Dumbledore e Grindelwald, um capacho escrito Alohomora e um cofre-quadro para juntar os galeões para a próxima ida à Hogsmeade.

Adorei os produtos e a experiência com a caixa. O próximo tema é a Liga da Justiça e já estou guardando dinheiro para quando começarem as vendas.

Seriados

Stranger Things 2

Depois de todo esse tempo, finalmente chegou a segunda temporada de Stranger Things. Assisti com certa moderação, mas confesso que foi basicamente porque eu tinha obrigações e não podia passar o dia todo assistindo os novos episódios, porque todos eles terminam em algum tipo de cliffhanger.

Ano passado Stranger Things dominou a internet por semanas, se não meses, quando foi lançada. Os atores viraram os novos queridinhos, não só pela atuação na série da Netflix, mas também por sua participação em premiações americanas. Stranger Things trouxe um belo tom de nostalgia, além de um marketing sensacional, e conquistou muita gente. A expectativa para essa temporada estava alta e nunca é simples criar algo quando existe esse tipo de relacionamento com o público. Certamente muita gente não vai gostar dessa nova temporada. Não foi o meu caso, mas afinal, ela fez jus ao sucesso todo da série?

Com o mínimo possível de spoilers, montei essa lista de coisas legais e não-tão-legais sobre a segunda temporada.

  1. Temos uma menina nova! Max chega para dar um pouco mais de diversidade para o seriado, trazendo consigo um irmão problemático, sua família e possibilita desenvolvimento para os meninos – como personagens e como pessoas. Já faz quase um ano desde os eventos da primeira temporada e eles estão crescendo.
  2. Os relacionamentos entre personagens ganharam muito mais destaque. Temos o grupo dos meninos, temos a Nancy, Jonathan e Steve, Joyce, a mãe do Will, tem um namorado, o Bob, a Eleven está aprendendo um pouco mais sobre família e amizade, temos a crush do Mike na Eleven e, como falei no item anterior, temos Max e seu irmão. Esse tópico entra como legal e não-tão-legal, afinal, mesmo que seja interessante ver um pouco mais de desenvolvimento, parece que perdemos ação de verdade na história.
  3. Conhecemos um pouco mais sobre o Upside down e as criaturas que vivem lá. Da última vez, basicamente só sabíamos que o Will ficou perdido e que tinha um Demogorgon. Dessa vez, vemos mais personagens explorando o lugar e entendemos mais sobre o que é que está acontecendo – mas ainda não entendemos 100%.
  4. Se na primeira temporada Millie Bobby Brown roubou a cena como Eleven, dessa vez temos Noah Schnapp arrasando como Will. A temporada no Upside down teve suas consequências e exploramos várias delas nessa série. A atuação varia entre momentos de extrema frieza e outros de total normalidade. Noah está de parabéns.
  5. A produção, num geral, está muito bacana. As cenas, como os anos 80 são recriados, os efeitos especiais… tudo foi pensado com um olhar mais cinematográfico te absorve ainda mais na história – não foram poucas as vezes que me peguei reagindo em voz alta, esquecendo completamente que tinha um mundo ao meu redor.
  6. Winona Ryder continua incrível fazendo a louca, mas dessa vez por outros motivos.
  7. A velocidade dos acontecimentos não me agradou muito. Como citei, temos muito desenvolvimento de relacionamentos que parecem nos afastar da ação e achei que alguns aspectos foram deixados de lado. Tem coisa passando muito rápido e tem coisa indo muito devagar.
  8. Como seria uma terceira temporada? Tendo como base o fim da segunda, não consigo imaginar uma terceira história que consiga trazer o suspense que a primeira temporada trouxe. Claro, não sei o que está na cabeça de quem realmente criou a história, mas fiquei com receio que esse seja mais um caso de algo espetacular que vai perdendo o brilho aos poucos.
  9. A conversa com o público está muito direta. Na primeira temporada, não parecia certeiro o entendimento que o público da série não é só infanto-juvenil. Não sei se por acaso ou não, mas dessa vez fica bem claro que o seriado não é para crianças e, por estarmos na internet, temos vários xingamentos que ficariam barrados em outra mídia. Um bônus para quem, como eu, acha muito chato ver gente na TV que não tem nada a ver com pessoas reais.

 

Para concluir, eu acho que a segunda temporada tem mais pontos positivos que negativos. Acredito que vá agradar muitos, mas que o ritmo e a leve mudança no foco para os relacionamentos vá também desagradar outros. Os irmãos Duffer, criadores da série, mostraram uma versatilidade e até um indicativo de que Stranger Things é mais que um suspense cheio de referências nerds e dos anos 80. Além disso, deixaram várias perguntas sem resposta, mas disso eu só posso tratar em um post com spoilers.

Ah, não dá pra esquecer de citar. Se você gosta da série e quer saber mais sobre esse universo, está na Netflix o Beyond Stranger Things, um seriado de entrevistas com os atores, diretores e produtores da série. Nele podemos ver discussões sobre como certas decisões do roteiro aconteceram até fitas das audições. Ótimo para quem acaba a série e fica meio órfão de entretenimento, sem querer desligar desse universo.